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Camilo Lourenço

"Operação Fora de Jogo" peca por tardia. Clubismo tem toldado "capacidade racional" de fiscalizar o futebol

04 mar, 2020 - 12:45 • Luís Aresta com Redação

O especialista em direito económico Camilo Lourenço espera que a operação desencadeada pela Autoridade Tributária e pela Procuradoria-Geral da República seja levada até ao fim.

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O clubismo tem impedido as entidades reguladoras de fiscalizar as contas dos clubes de futebol com maior seriedade e rigor. É esta a opinião manifestada pelo especialista em direito económico Camilo Lourenço, em entrevista a Bola Branca, acerca da "Operação Fora de Jogo", que levou ao cumprimento de 76 mandados de busca, esta quarta-feira, nomeadamente nas SAD's dos três grandes do futebol português.

Liderada pela Autoridade Tributária e Aduaneira e pela Procuradoria-Geral da República, a operação investiga a possível "prática de crimes de fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais". Como é possível que sociedades anónimas desportivas, cotadas em bolsa e com contas aprovadas por auditores independentes, possam ser apanhadas em suspeitas desta dimensão, é a questão para a qual Camilo Lourenço encontra resposta na paixão que carateriza o mundo do futebol:

"O futebol tem sido sempre um mundo à parte devido à paixão. O futebol é essencialmente paixão. Essa paixão condiciona, muitas vezes, a capacidade racional de fiscalizarmos certos comportamentos. Digo-o dos próprios órgão de clubes e de SAD's, e de responsáveis de outras áreas da sociedade, nomeadamente certas instituições que têm por obrigação fazer essa fiscalização, esse escrutínio. Desde os órgãos de fiscalização nos clubes até às entidades que regulam estes setores."

Operação só peca por tardia


Na opinião de Camilo Lourenço, esta mega-operação "já devia ter acontecido de forma parcelar e de forma mais cirúrgica, em variadíssimos momentos do passado". Exemplo disso são os sinais de falta de transparência nas contas dos clubes, nomeadamente no que respeita às comissões pagas na transferência de jogadores.

"Eu não percebo, mutias vezes, porque é que, a olhar para as contas de certas instituições, os revisores ou quem faz a análise não coloca mais questões sobre certos aspetos dessas mesmas contas. Por exemplo, todos nós sabemos das comissões que são pagas, mas não temos a certeza se não haverá algumas coisas que passam por fora do radar. Sistematicamente ouvimos dúvidas, sobre alguns aspetos que estão agora a ser investigados", aponta o especialista em direito económico.

Camilo Lourenço mostra-se pouco preocupado com os danos reputacionais causados sobre o futebol português, em face de uma operação desta dimensão, dado que considera que este "é um problema global", mais que português. O especialista em direito econnómico espera é que as investigações sejam levadas às últimas consequências: "É preciso que haja coragem para levar as coisas até ao fim."

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