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Morreu Katherine Johnson, matemática da NASA que ajudou o Homem a chegar à Lua

24 fev, 2020 - 15:57 • Inês Rocha com Reuters

Ignorou o racismo para poder trabalhar na agência espacial norte-americana e teve um papel fundamental na missão de levar humanos à lua, tendo inspirado o filme "Hidden Figures" ("Elementos Secretos" em português), que foi nomeado para três Óscares em 2017.

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Katherine Johnson, a mulher negra cujo génio matemático a levou de um trabalho na NASA, com muita discriminação à mistura, para um papel fundamental na missão de levar humanos à lua, morreu esta segunda-feira aos 101 anos, anunciou a NASA.

Johnson foi uma das personagens retratadas no filme “Hidden Figures” ("Elementos Secretos" em português), que teve três nomeações para os óscares em 2016. O filme conta a história de uma equipa de cientistas da NASA, formada por três mulheres afro-americanas, que foi peça-chave na vitória dos Estados Unidos na corrida espacial, durante a Guerra Fria.

“Foi com tristeza que a nossa família da NASA recebeu a notícia de que Katherine Johnson morreu esta manhã aos 101 anos”, escreveu Jim Bridenstine, administrador da NASA, no Twitter. “Ela foi uma heroína americana e o seu legado pioneiro nunca vai ser esquecido”.

Johnson recebeu uma Medalha Presidencial da Liberdade do ex-Presidente Barack Obama, em 2015.

“Ela foi uma das mentes mais brilhantes na nossa agência ou no nosso país”, disse o administrador da NASA Charles Bolden, quando Katherine recebeu a medalha presidencial.

Em 2016, Obama citou-a no seu discurso do estado da Nação como exemplo do espírito de descoberta dos Estados Unidos.

Katherine Johnson e a sua equipa de mulheres negras na NASA eram conhecidas como “computadores” quando o termo era usado para pessoas que trabalhavam em computação. A matemática teve uma carreira de 33 anos na agência especial norte-americana. Trabalhou no Projeto Mercúrio e no programa Apollo, que levou pela primeira vez humanos à lua. Johnson foi responsável pelos cálculos que sincronizavam a nave lunar e o módulo de comando em órbita.

O astronauta John Glenn, o primeiro a entrar em órbita da Terra, a bordo da cápsula espacial Friendship 7, fez questão de consultar Johnson antes do seu primeiro voo, em 1962.

“Deixam a rapariga conferir os números”, afirmou.

Johnson recebeu uma ovação de pé na cerimónia dos óscares em 2017, quando se juntou ao elenco do filme para apresentar o óscar de melhor documentário.

Ignorou o racismo para poder trabalhar

Durante a corrida espacial entre os Estados Unidos e a antiga União Soviética, que começou no fim dos anos 50, Johnson e as suas colegas executaram os números de lançamentos de não tripulados, voos de teste e estudos de segurança de aviões usando lápis, réguas de cálculo e máquinas de calcular mecânicas.

No entanto, tiveram de fazer o trabalho em instalações separadas dos trabalhadores brancos e foram obrigadas a usar casas de banho e refeitórios separados.

Johnson sempre disse que estava demasiado preocupada com o trabalho para estar preocupada com o racismo.

“Ela não fechou os olhos ao racismo que existia”, escreveu Margot Lee Shetterly no livro “Hidden Figures”, que deu origem ao filme. “Ela sabia tão bem como qualquer outra pessoa negra o imposto que tinha de pagar por causa da sua cor. Mas ela não o sentiu da mesma maneira. Ela desejou que desaparecesse, desejou que não existisse, no que dizia respeito à sua vida quotidiana".

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  • mew
    26 fev, 2020 17:24
    Quem gostar de aprender que vá consultar a biografia desta Senhora. Perceberá que foi quem foi, não por ser branca ou negra, Foi aproveitada por uma nação que deixou as cores da pele para trás assim que percebeu que esse caminho nunca levaria a lado algum.