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Primárias nos EUA

Sanders vence no Nevada, mas Biden restaura esperança

23 fev, 2020 - 09:32 • José Alberto Lemos, em Nova Iorque

O “caucus” do Nevada confirmou, no essencial, as sondagens. Bernie Sanders teve uma vitória clara, sobretudo entre latinos, jovens e trabalhadores sindicalizados. Mas Joe Biden ficou em segundo lugar, ressuscitando a sua campanha. Avança agora para a Carolina do Sul, onde é favorito, com a Super Terça-Feira em mente.

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E, ao terceiro dia, a campanha de Joe Biden ressuscitou. Não subiu ao céu, mas sentou-se no segundo lugar no “caucus” do Nevada que decorreu neste sábado, o que lhe permite acalentar ainda esperanças de que está na corrida democrática para a escolha do candidato à Casa Branca.

Depois de duas más prestações no Iowa e no New Hampshire, o antigo vice-presidente precisava desesperadamente de um bom desempenho no Nevada para que os seus apoiantes (e financiadores) acreditassem que ainda tem hipóteses de obter a nomeação.

Ao ficar em segundo lugar, embora a grande distância do vencedor Bernie Sanders, Biden afastou o espectro do colapso e colocou-se em boa posição para vencer na Carolina do Sul no próximo sábado, um terreno que lhe é favorável.

Bernie Sanders foi o grande vencedor da noite e consolidou a sua posição de líder da corrida, mas essa já era a previsão para o Nevada. O que a vitória da Sanders significa, contudo, é que ele foi capaz de vencer também num estado em que a composição social é bem diversificada, ao contrário do Iowa e do New Hampshire, estados onde o eleitorado é quase todo branco.

Com 48% de brancos, 29% de latinos, 10% de negros e 9% de asiáticos, o Nevada é um estado mais representativo da atual demografia americana e a dúvida que se levantava em relação a Sanders era se ele seria capaz de penetrar no eleitorado latino e negro, que lhe escapou em 2016 contra Hillary Clinton. Foi, e de que maneira! Esmagou entre os latinos e não perdeu por muitos entre os negros. Dominou também entre os jovens e os trabalhadores sindicalizados, muito fortes no Nevada.

Isso dá-lhe melhores perspetivas para as primárias da Carolina do Sul, onde o eleitorado democrata é constituído por quase 60% de negros e onde Biden é favorito. Mas sobretudo mostra que ele está a conseguir agregar votantes de várias proveniências étnicas, sociais e etárias – uma condição indispensável para vencer eleições na América. Sanders está hoje mais próximo do “mainstream” americano.

Com a divisão do voto moderado do partido entre pelo menos três candidatos – Biden, Pete Buttigieg e Amy Klobuchar – as probabilidades do progressista Sanders aumentam a cada dia que passa, até porque ele dispõe também de mais dinheiro do que qualquer dos outros candidatos, à exceção de Mike Bloomberg. O mercado das apostas atribui-lhe neste momento 7 em 10 hipóteses de vencer esta corrida.

E, contudo, o Nevada pode ter dado um sinal importante neste sábado ao restaurar a esperança na candidatura de Biden e, ao mesmo tempo, afundar as esperanças de Amy Klobuchar e deixar Pete Buttigieg em maus lençóis. A senadora do Minnesota, que tem feito bons debates, foi relegada para quinto lugar com apenas 4% dos votos, e o antigo mayor de South Bend, embora tenha ficado em terceiro, logo atrás de Biden, estará no limiar dos 15% necessários para eleger delegados pelo Nevada. Mas mais do que isso, as perspetivas de ambos para a Carolina do Sul não são auspiciosas a avaliar pelas sondagens.

É claro que a situação dos dois não é comparável. Buttigieg venceu no Iowa e perdeu por uma unha negra no New Hampshire, estando ainda no segundo lugar quanto a delegados à convenção do partido. Enquanto o melhor que Klobuchar fez até hoje foi um terceiro lugar em New Hampshire, apesar das boas prestações nos debates. Salvo qualquer milagre, não tem hipótese nesta corrida.

O mesmo não pode dizer-se por ora de Buttigieg, mas se tiver um mau resultado na Carolina do Sul, como apontam as sondagens, vai chegar à decisiva Super Terça-Feira em posição vulnerável. E é aqui que o Nevada pode ter dado indicadores importantes.

Aproxima-se o momento em que o campo dos moderados tem de se unir em torno de um candidato se quiser travar o “socialista” Sanders. E essa unidade insinua-se agora como podendo ser em torno de Joe Biden caso ele vença a Carolina do Sul e a dinâmica o projete para a Super Terça-Feira, a 3 de março.

No campo progressista, quem também se confirma como arredada da vitória é Elizabeth Warren. A sua excelente prestação no debate de Las Vegas na passada quarta-feira poderia tê-la projectado para números prometedores, mas isso não sucedeu. Ou melhor, só sucedeu em termos de fundos para a campanha. Nos três dias seguintes, recolheu nove milhões de dólares em donativos, mas em termos de votos ficou em quarto lugar e não elegeu delegados.

Teve o calendário contra ela: o debate em que brilhou foi um dia depois de 75 mil eleitores terem ido às urnas em voto antecipado. Quantos destes lhe teriam dado o voto depois do debate – é a dúvida que fica. Os nove milhões de dólares já de pouco lhe servirão.

Na próxima terça-feira haverá mais um debate, antes da eleição na Carolina do Sul. Será o décimo debate e o segundo com Mike Bloomberg, o multimilionário que é ainda a grande incógnita destas primárias. As sondagens continuam a colocá-lo em terceiro lugar a nível nacional, mas ele só irá às urnas na Super Terça-Feira, quando estarão em jogo 1357 delegados, 34% do total, e que será o grande teste clarificador destas primárias.

O seu sucesso nesta campanha em que corre por fora depende, em certa medida, do insucesso de Joe Biden. Se o antigo vice-presidente falhar, Bloomberg pode ter chances de conquistar o voto moderado. Mas o Nevada encarregou-se, neste sábado, de deixar um alerta para todos: as notícias sobre a morte da candidatura de Biden parecem um pouco exageradas.

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