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Francisco Sarsfield Cabral
Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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​Regresso do eugenismo

21 fev, 2020 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


Foi afastado do gabinete de Boris Johnson um consultor que tem defendido posições racistas e eugenistas. Mas o mentor deste personagem continua a ser o principal conselheiro do primeiro-ministro britânico. A liberalização da eutanásia facilitará o desprezo pela vida considerada inútil.

A propósito dos prováveis efeitos da liberalização da eutanásia, no passado dia 8 lembrei aqui que, nas primeiras décadas do séc. XX, esteve em voga o movimento eugenista, pretendendo “melhorar a raça” (branca, claro). Com a tragédia do holocausto, que levou a níveis arrepiantes o eugenismo, essas ideias desapareceram do espaço público. Mas, desgraçadamente, parece que estão a voltar, tal como temos hoje na Europa e nos EUA pessoas e grupos declaradamente neonazis.

Foi esta semana afastado do gabinete do primeiro-ministro britânico o consultor Andrew Sabisky, pessoa próxima do “guru” de Boris Johnson, um homem de extrema-direita e ardente promotor do Brexit, de seu nome Dominic Cummings.

Sabisky foi forçado a deixar de ser consultor de Boris Johnson porque jornais como o “Guardian” divulgaram posições racistas e eugenistas que ele tomou publicamente nos últimos anos. Mas Dominic Cummings continua a ser o principal conselheiro do primeiro-ministro do Reino Unido…

Andrew Sabisky defende existirem diferenças raciais em matéria de inteligência. Em média, segundo ele, os negros americanos são menos inteligentes do que os brancos nos EUA.

Em matéria de eugenismo, Sabisky sugere aplicar contraceção obrigatória aos que mais dependem de apoios sociais, pois – diz ele – têm demasiados filhos. Pelo contrário, Sabisky reclama medidas para aumentar a baixa fertilidade dos outros, menos pobres, considerados mais pró-sociais, mais “civilizados”. Por outro lado, o ex-consultor de Boris Johnson prevê que, cerca de 2050, a Grã-Bretanha terá uma maioria populacional islâmica. Algo que ele gostaria de travar enquanto é tempo – mas é uma fantasia.

É preocupante que sinistras ideias destas, que se julgavam mortas e enterradas, tenham regressado – e não sabemos onde irá parar a sua difusão e aceitação, mesmo em países ditos desenvolvidos. Aliás, o horror do holocausto e do nazismo aconteceu num país altamente culto, a Alemanha. E a liberalização da eutanásia, em Portugal, Espanha e noutros países, facilitará o desprezo pela vida considerada inútil.

Comentários
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  • António Silva
    22 fev, 2020 12:46
    Seria útil realçar que a par da eugenia biológica, da qual, por exemplo, a obsessão pelo culto do corpo é uma manifestação, (ou seja, para além da eutanásia, muita outra eugenia há por aí de que não se fala e em que não se reflete), existe uma eugenia social cada vez mais evidente, decorrente de conceitos tão caros ao autor como o capitalismo, o liberalismo económico e social, etc.… Na verdade, o grande problema de muita gente culta, alegadamente humanista e civilizada, é não entender que quando se abre a caixa, melhor dizendo, o jarro de Pandora, o que de lá sai só marginalmente é positivo. E que o inferno está cheio de boas intenções
  • Pedro Sousa
    21 fev, 2020 Beja 14:34
    Não querer compreender que com esta lei é o indivíduo quem decide morrer e não uma entidade superior por ele (seja o Estado ou Deus) é muito pouco intelectualmente honesto. Misturar eugenia com eutanásia é misturar alhos com bugalhos. Só vos tira razão. Hoje tenho ainda mais orgulho em ser cidadão duma República que defende o primado do indivíduo sobre a pressão da sociedade. É isso que esta lei vai permitir. Quem sabe que não pode mais, vai ter paz. O resto são conversas de moralistas sem nada que fazer e que acham que podem meter o bedelho na vida dos outros.