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Legalização da eutanásia levará a mais desinvestimento no SNS, alerta ex-bastonário

17 fev, 2020 - 22:47 • Eunice Lourenço

Pedro Nunes e outros quatro ex-bastonário acompanharam o atual titular num encontro com o Presidente da República.

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A legalização da eutanásia vai trazer ainda mais desinvestimento no serviço nacional de saúde (SNS). É o que receia Pedro Nunes, um dos ex-bastonários da Ordem dos Médicos recebidos esta segunda-feira à noite pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, no Palácio de Belém.

“Há matérias que não estão a ser discutidas neste momento e que, para nós, são particularmente graves, como as consequências para o desinvestimento no serviço nacional de saúde, que já existe e que passará a existir muito mais se a eutanásia for uma opção e não a necessidade de criar mecanismos de defesa da vida enquanto ela existe”, afirmou Pedro Nunes à saída do encontro que durou cerca de uma hora.

Pedro Nunes, Germano de Sousa, Gentil Martins, José Manuel Silva e Carlos Ribeiro acompanharam o atual bastonário Miguel Guimarães no encontro com Marcelo Rebelo de Sousa, onde manifestaram a sua oposição à legalização da eutanásia e do suicídio assistido, que será discutida e votada no parlamento na quinta-feira.

À saída, Miguel Guimarães começou por explicar que pediram o encontro com o chefe de Estado para lhe entregar a posição de todos os bastonários e que é uma posição de oposição aos cinco projetos de lei que vão ser discutidos e votados na quinta-feira.

“Porque não estamos de acordo, porque viola aquilo que é a prática da medicina, vai contra o código deontológico, altera a relação médico – doente”, justificou o bastonário, recordando que “os médicos aprendem e estão preparados para processos de salvar vidas, não estão preparados para processos que levam à morte do doente”.

Miguel Guimarães reafirmou que o Código deontológico da ordem dos médicos não tem de ser alterado porque “uma coisa é a lei, outra é o código deontológico”. Mas, se for aprovada a despenalização da eutanásia, a lei sobrepõe-se ao código. “Mesmo que o médico seja despenalizado em termos deontológicos, depois é despenalizado em termos legais”, explicou.

Questionado sobre o que defenderá a maioria dos médicos, Miguel Guimarães respondeu que não foi feita qualquer sondagem, mas acredita que a maioria é contra a eutanásia. “Tenho a certeza que não é a maioria dos médicos que está a favor da eutanásia”, respondeu o bastonário, recentemente reeleito.

“Enquanto bastonário tenho de defender o que jurei no dia 5 que são os princípios éticos e deontológicos da profissão e faz parte dos princípios éticos as questões relacionadas com o fim de vida, nomeadamente o que diz respeito à eutanásia, o que diz respeito ao fim de vida, mas também o que diz respeito à distanásia. É isso que estou a fazer e que continuarei a fazer”, garantiu Miguel Guimarães.

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  • FIlipe
    17 fev, 2020 évora 23:53
    Os cuidados paliativos já são reflexos da eutanásia ( disfarçada em morte assistida ) em modo lento , isto em Portugal . A experiência que tenho por familiares que passaram por cuidados paliativos , é essa a realidade . Quando o médico desiste do doente , já que a medicina nunca desiste , existem progressos que não são aplicados em Portugal e os que são somente interessam a alguns médicos ou hospitais . Sendo que a desistência do médico ao doente em razão da idade , do tipo de doença e o manda para cuidados paliativos , tomando doses de morfina ... dexametasona ... valproato de sódio etc ... já de si é uma morte auxiliada por terceiros . Seria morte natural da doença se não tivesse auxílio médico ou medicação para morrer em paz . Posto isto , é de referir e óbvio que mais de 90 % das pessoas em cuidados paliativos NUNCA morre da doença original , morre sim da quantidade de medicamentos em excesso que auxiliam a morte , em nada é para curar a doença , mas sim para antecipar a morte . Todos esses medicamentos tem efeitos secundários bombásticos a nível cerebral , hepático e coração . Conclui-se : Os cuidados paliativos em Portugal já é a eutanásia a atuar ... e o Estado sabe disso , pois quer é poupar nos recursos humanos que ocupam esses cuidados e antecipar a morte quanto antes .