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Faith's Night Out

“A Igreja deve ser culta para poder amar a todos”

16 fev, 2020 - 09:08 • Eunice Lourenço

D. Américo Aguiar e a apresentadora Fátima Lopes foram oradores do Faith’s Night Out. O modelo de curtas conferências começou em Lisboa mas já se realiza no Porto, Évora e São Paulo e terá em breve uma edição no Líbano.

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“A Igreja deve ser culta para poder amar imensamente a todos” e a Jornada Mundial da Juventude, que se realiza em Lisboa em 2022 deve ser um momento para a Igreja mostrar essa cultura de encontro. Foi esta a mensagem que D. Américo Aguiar, bispo auxiliar de Lisboa e um dos responsáveis pela organização da JMJ, quis deixar aos jovens das Equipas de Jovens de Nossa Senhora, reunidos no sábado à noite no encontro Faith’s Night Out.

O encontro com 12 oradores e cerca de 1.500 participantes foi dedicado à idade dos porquês. E a D. Américo Aguiar coube responder à pergunta “porquê uma Igreja culta”. O bispo fez uma intervenção muito aplaudida e que soltou muitos risos na sala, mas que começou com uma nota mais tocante.

D. Américo pegou na intervenção anterior à sua – Fátima Fonseca, professora e mãe de sete filhos – para lembrar que no dia da sua ordenação episcopal fez o funeral da sua mãe. “Um porquê que de vez em quando me incomoda, mas conforta”, confessou no encontro cheio de “porquês”.

Depois, D. Américo contou como esteve presente, na sexta-feira, na abertura do Congresso da CGTP, a primeira vez de um bispo em 50 anos de historia da central, e de como se sentiu bem ao lado dos “irmãos do PCP”. E um dos representantes comunistas disse-lhe: “Estamos consigo, estamos consigo!”

“Entendi que era por causa da eutanásia”, continuou o bispo que tem andado em visita pastoral na vigararia de Oeiras e que para estes dias tem encontrado “no rosto de pessoas muito simples uma cultura profunda, em pobres e ricos, novos e velhos, católicos e assumidos e católicos escondidos”. Uma cultura de “amor e entrega” que D. Américo também pediu aos jovens das equipas, a quem agradeceu o empenho na JMJ.

“Uma Igreja culta só pode ser verdadeiramente Igreja se conhecer Jesus Cristo – e por isso convém alguma cultura, quanto mais não seja bíblica –, mas acima de tudo uma cultura que nos permita conhecermo-nos uns aos outros, olhos nos olhos, coração a coração”, concluiu D. Américo, quase a terminar o encontro, que teve como primeira oradora a apresentadora Fátima Lopes, que também apelou a uma cultura de encontro.

A verdade precisa de silêncio

A apresentadora começou por dizer que “é uma grande vitória” poder hoje falar de fé na televisão. Fátima Lopes disse que há uma ideia feita de que as figuras públicas têm uma vida perfeita, mas não é assim. A apresentadora defendeu que todas as vidas têm igual valor e que é preciso ter tempo para parar e dar a mão ao outro.

“Temos de voltar a ver, ouvir e sentir. Cada vez que damos a mão ilumina-se o coração de uma pessoa. Tem de haver tempo para o outro”, disse a apresentadora, que também salientou a necessidade de parar e fazer silêncio. “O silêncio é mesmo muito valioso”, disse, emocionando-se ao recordar os oito minutos de silêncio do Papa Francisco no Santuário de Fátima.

Também Isabel Figueiredo, diretora do Secretariado Nacional para as Comunicações Sociais, salientou a importância do silêncio. “A verdade exige silêncio, a verdade implica prudência”, disse Isabel Figueiredo, convidada a responder “Porquê a verdade?”

“A verdade não é um bem adquirido”, começou por dizer, acrescentando que “a verdade pode precisar de ser contida” porque há momentos em que é preciso “escolher o que dizer e quando dizer”. Mas, continuou, “chega sempre o dia em que a verdade conhece a luz”.

“Sem verdade, a denúncia multiplica o mal. A verdade implica esforço, um esforço que não tem encanto nem poesia, mas é fundamental na rotina das vidas numa sociedade que queremos mais justa e mais cristã”, defendeu Isabel Figueiredo, na intervenção que melhor respeitou a regra dos sete minutos imposta aos oradores.

Durante mais de três horas, com um intervalo pelo meio, os oradores foram-se sucedendo no palco do Centro de Congressos de Lisboa, com testemunhos pessoais de como Deus vai dando respostas. João Paulo Sacadura, desafiado a responder “Porquê sorrir?” começou por falar da morte da mulher há 14 anos, contou como esteve sete anos desempregado e, pelo meio, foi arrancando gargalhadas à plateia onde se misturavam jovens e adultos.

“Porquê sorrir? Porque somos amados. As pessoas morrem prematuramente se não sorriem”, concluiu.

Já o professor Ricardo Zózimo, desafiado a responder “Porquê o verde?” desafiou os participantes a pensar na cor da sua fé. Pode ser castanha como a madeira da cruz, vermelha como o sangue dos mártires, azul como o céu e como o mar … “O verde vence”, brincou este professor de empreendedorismo, que explicou que não é possível fazer bem ao ambiente fazendo mal às pessoas, nem bem às pessoas, prejudicando o ambiente. “O verde e as pessoas estão juntos”, garantiu Ricardo Zózimo, que está a colaborar na organização do encontro “Economia de Francisco”, que vai decorrer em Assis no próximo mês de março.

O “Faith’s Night Out” teve a sua primeira edição em 2013 e consiste na apresentação de experiências de fé em comunicações breves. Já teve edições no Porto, em Évora, e em São Paulo, no Brasil. E, como foi anunciado no fim deste encontro de Lisboa, terá a sua próxima edição no Líbano, um país em que as Equipas Jovens de Nossa Senhora têm uma presença significativa.

Comentários
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  • Desabafo Assim
    16 fev, 2020 17:46
    Seria tão bom sermos aquele povo de que fala o profeta que vem de longe. Não editar por favor.