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Especialistas portugueses na "​Lancet". Cuidados em fim de vida são "área mais negligenciada da saúde"

13 fev, 2020 - 23:59 • Lusa

Revista internacional publica reação de especialistas portugueses a editorial sobre SNS, a poucos dias de o Parlamento votar propostas para a legalização da eutanásia.

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Especialistas portugueses alertam, numa resposta publicada na revista “The Lancet” a um editorial sobre o estado Serviço Nacional de Saúde (SNS), que os cuidados em fim de vida são a "área mais negligenciada da saúde" em Portugal.

Quatro clínicos e investigadores em cuidados paliativos, Bárbara Gomes, Duarte Soares, Ana Lacerda e Maja Brito, decidiram juntar-se e responder a um editorial de 12 de outubro de 2019 da “The Lancet”, dedicado aos 40 anos do SNS, que afirmava que "a redução do investimento público na saúde em Portugal entre 2000 e 2017 impediu a modernização dos hospitais públicos" e facilitou o "crescimento do setor privado".

"Quando a Lancet publicou um editorial sobre o estado do nosso SNS ocorreu-nos responder e reagir, salientando a área dos cuidados em fim de vida como uma das mais negligenciadas no nosso sistema nacional de saúde", disse à agência Lusa, Bárbara Gomes, investigadora da Universidade de Coimbra e do King's College London.

Os investigadores nos estudos que realizaram observaram que "o número de mortes de pessoas com necessidades paliativas estava a crescer".

"Portugal é um país extremamente envelhecido, dos mais envelhecidos do mundo, e notávamos uma tendência continuada de morte no hospital, que sabíamos que é uma realidade muitas vezes contrária às preferências das pessoas de morrer em casa", afirma Bárbara Gomes.

“Investimento deficitário” e “desigualdade” nos cuidados paliativos

Apesar de Portugal não ser dos países em que os cuidados paliativos estão mais desenvolvidos, têm sido dados passos nesse sentido. "Porém, achamos importante alertar que o investimento" feito ao longo dos anos "tem sido deficitário em relação às necessidades", o que "pode deixar a descoberto as necessidades da população de uma forma séria", salientou.

Para Duarte Soares, médico e presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos, "um investimento deficitário nos cuidados em fim de vida impede que se reverta a tendência de morte no hospital e afeta as condições em que as pessoas morrem nestas instituições de saúde".

"Por outro lado, observamos uma expansão do setor privado nesta área, o que significa que mais pessoas acedem a cuidados paliativos, mas que a desigualdade aumenta", sublinha Duarte Soares.

Duarte Soares afirma que "Portugal acompanha as alterações demográficas de muitos outros países", mas o que difere são "as políticas e a capacidade de investimentos diferentes nesses países".

"Temos que olhar para aqueles países que sofrem dos mesmos desafios demográficos, mas que têm neste momento respostas muito mais dirigidas e muito mais robustas ao alívio do sofrimento das pessoas", defendeu.

A pediatra oncologista Ana Lacerda alerta na carta que esta realidade afeta também as crianças, "um grupo particularmente vulnerável e carente de cuidados, que merece especial atenção". Maja de Brito, psicóloga e investigadora, alerta, por seu turno, que "as famílias dos doentes e os cuidadores informais" também "não podem ser esquecidos", defendendo que o Estatuto do Cuidador Informal e as propostas anunciadas no Orçamento de Estado para 2020 "têm de ser postas em prática sem demora".

Perante esta realidade, os autores alertam para a necessidade de uma "revolução Copernicana" na "gestão da saúde, de forma a assegurar que os cuidados paliativos estão acessíveis a todos e que o SNS se adapta aos seus utentes, e não o contrário".

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  • me
    14 fev, 2020 13:57
    Não interessa a ninguém os nomes nem os títulos dos que responderam à Lancet. E que não passam de uns Ilustres ignorados. Também podiam prantar a resposta, integral (original), deles publicada na Lancet. Só vos ficava bem.