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Eutanásia. Evitar o debate e aprovar à pressa

04 fev, 2020 • Opinião de Nota de Abertura


Os partidos sabem que a eutanásia é um tema polémico. Por isso, evitaram a discussão. Por isso, querem aprová-la à pressa.

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PS, Bloco de Esquerda, PAN e PEV querem aprovar a eutanásia, no próximo dia 20 de fevereiro. Já entregaram os seus projetos, mas não os apresentaram na campanha eleitoral. Nessa altura, puseram o tema na gaveta. Agora, pretendem aprovar uma medida que não ousaram propor aos eleitores.

Não é a primeira vez que tal ocorre. Mas a repetição fragiliza o sistema político que, por ser democrático, exige transparência e lealdade.

Os partidos sabem que a eutanásia é um tema polémico. Por isso, evitaram a discussão. Por isso, querem aprová-la à pressa.

É mais fácil aprovar a eutanásia no Parlamento do que investir no Serviço Nacional de Saúde.

É mais fácil aprovar a eutanásia no Parlamento do que alargar a rede de cuidados paliativos a todo o país, sobretudo aos mais pobres e àqueles que se encontram nas periferias dos cuidados humanos.

Esses deviam ser os combates a travar pelos deputados, de um extremo ao outro do Parlamento. Um deputado da República deveria sempre defender a vida, pois nenhuma é descartável seja por que motivo for.

É curioso, aliás, que a esquerda mais radical - adversária do individualismo e do liberalismo capitalista - seja, afinal, a maior adepta da liberalização da morte.

Em Portugal, quem se encontra numa situação de fragilidade não pode tomar certas decisões, até testamentárias. Mas, para os defensores da eutanásia, nada obsta a que em idênticas circunstâncias se possa optar entre a vida e a morte.

O Parlamento não tem poder absoluto, mas sobretudo não tem - como ninguém tem - absoluto conhecimento de todas as variáveis clínicas, emocionais e afetivas que separam a vida e a morte.

A vida e os seus limites, a morte e os seus mistérios estão para além daquilo que os deputados podem conhecer ou prever. Se não a querem proteger, deixem ao menos a vida em paz.

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  • João Lopes
    18 fev, 2020 18:17
    Os eutanasistas - falsos humanistas - querem eliminar o sofrimento da pessoa, matando a pessoa...
  • Ribeiro
    07 fev, 2020 Setúbal 14:29
    O PeterVLG esquece que quem costuma governar com base em folhas de excel não é a esquerda. Quem vê tudo pelo lado da contabilidade não é a esquerda. Se há SNS em Portugal, devemo-lo à esquerda. O PeterVLG andou por fora de Portugal nos anos da PAF? Foi?
  • Petervlg
    07 fev, 2020 Trofa 14:06
    Por este andar, toda a esquerda, vai achar que a partir de uma determinada idade, as pessoas (velhos) já esta a dar muita despesa e muito transtorno e é melhor por termo a isto, só tem é que escolherem a idade. Apenas gostava que as mães dos políticos, deviam ter feito abortos, para não existir estas aberrações que estão na assembleia
  • Rui Dimas
    07 fev, 2020 Beja 13:24
    Mas alguém obriga alguém a eutanasiar-se? Quem não quiser ser eutanasiado não o será. Por essa ordem de ideias vamos ilegalizar o suicídio? Vamos voltar 100 anos atrás? Cada um sabe de si. Deus de todos. Moralistas com o sofrimento dos outros.
  • João Lopes
    05 fev, 2020 18:59
    Henrique Raposo, Expresso Diário 5-02-2020: «A sociedade, como um todo, não pode responder ao desespero com um encolher de ombros. Quando alguém procura o suicídio, o nosso impulso moral é tentar salvar essa pessoa. Quando alguém se quer matar atirando-se de uma ponte ou prédio, o nosso impulso moral é agarrá-lo, desrespeitando assim a sua vontade. Porque é que este impulso moral desaparece quando a tentativa é feita num hospital? O suicídio, seja em que forma for, não pode ser um valor e uma prática social».