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Manuela Eanes. “Numa ética verdadeiramente humana não há lugar para a eutanásia”

11 fev, 2020 - 20:18 • Pedro Mesquita , com redação

Em entrevista à Renascença, a antiga primeira dama diz que tem havido demasiada pressa e “demagogia”. Admite a realização de um referendo, mas apenas no caso de se revelar necessário e depois de um amplo debate “nacional” e “sério”.

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“Numa ética que se quer verdadeiramente humana não há lugar para a eutanásia”, defende a antiga primeira dama Manuela Eanes, em entrevista à Renascença.

Manuela Eanes defende que a questão não se resolve com leis, mas com ética, porque esta é uma questão de vida.

Em entrevista à Renascença, a antiga primeira dama diz que tem havido demasiada pressa e “demagogia”. Admite a realização de um referendo, mas apenas no caso de se revelar necessário e depois de um amplo debate “nacional” e “sério”.

“Numa ética que se quer verdadeiramente humana não há lugar para a eutanásia, porque a eutanásia acaba com o sofrimento, mas também causa a morte. Fundamentalmente, não é uma questão de leis, é uma questão de ética, é uma questão de vida. Se após um debate sério, honesto, com ética, chegarmos à conclusão que o referendo é importante, vamos para o referendo. Mas eu acho que tudo na vida tem que ter uma discussão séria e há demasiada demagogia. Por que é esta pressa?”, afirma Manuela Eanes.

Numa altura em que a Assembleia da República se prepara para discutir propostas para a despenalização da eutanásia, no próximo dia 20, Manuela Eanes alerta que os deputados podem estar a atropelar a Constituição da República Portuguesa. “Com a eutanásia, o Estado contraria o artigo 24 da Constituição”, diz, que consagra o direito à vida e sublinha que “a vida humana é inviolável”.

A antiga primeira dama lembra que a grande prioridade deve ser garantir cuidados paliativos e o apoio necessário a quem deles precisa.

“Há um poema belíssimo do Jorge de Sena que diz, a certa altura, ‘a honra de estarmos vivos’. E o que é importante e fundamental é que os cuidados paliativos fossem a grande prioridade e que se dê condições às pessoas que estão em sofrimento a possibilidade de não ter dor. Em 2020, uma pessoa que está doente não precisa de ter dor”, defende Manuela Eanes.

A Igreja portuguesa defende a realização de um referendo sobre a eutanásia. A decisão saiu do encontro desta terça-feira em Fátima. A Conferência Episcopal garante o apoio a todas “as iniciativas em curso contra a despenalização da eutanásia”.

“A opção mais digna contra a eutanásia está nos cuidados paliativos como compromisso de proximidade, respeito e cuidado da vida humana até ao seu fim natural”, defendem os bispos portugueses num comunicado divulgado após a reunião do Conselho Permanente da Conferência Episcopal.

Em 2018, a Assembleia da República debateu projetos de despenalização da eutanásia do PS, BE, PAN e Verdes, mas foram todos chumbados, numa votação nominal dos deputados, um a um, e em que os dois maiores partidos deram liberdade de voto. O CDS votou contra, assim como o PCP, o PSD dividiu-se, uma maioria no PS votou a favor. o PAN e o BE votaram a favor.

Face ao resultado, os partidos defensores da despenalização remeteram para a legislatura seguinte, que saiu das legislativas de outubro, a reapresentação de propostas, o que veio a acontecer.

Na atual legislatura, há, de novo, projetos de lei sobre a morte medicamente assistida apresentados pelo BE, PS, PAN, PEV e IL, que determinam as condições em que é despenalizada a eutanásia.

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  • luís franco
    13 fev, 2020 ponta delgada 12:32
    A vida não se referenda e o que é humano e digno é anular o sofrimento e não abater uma pessoa.A curto prazo o Estado liberta -se de custos com a Eutanásia com o pretexto da dignidade e de por fim ao sofrimento e até muitas famílias,interesseiramente farão o mesmo.Concordo no entanto, que não se prolongue a vida artificialmente se o desfecho for claro.
  • João Lopes
    13 fev, 2020 11:35
    Aprecia-se a coerência, valor e coragem do casal Eanes. Na RR 12-02-2019, o Cardeal D. António Marto disse: «durante a campanha eleitoral, os grandes partidos não trataram este tema, por conseguinte, penso que isso é uma traição ao próprio povo e à própria sociedade. Portanto, deve ser tratado com toda a seriedade, com toda a profundidade e não com leveza ou leviandade, seja de pensamento, seja de atitudes…Porque trata-se de eliminar a pessoa para eliminar o sofrimento, quando há outros meios mais dignos e mais justos para responder a este problema».
  • Sebastião sousa
    12 fev, 2020 Gueifães 16:21
    Não sou a favor de matar pessoas,mas sim criar condições para serem tratadas e bem cuidados.
  • Adélio Pequenino
    11 fev, 2020 21:29
    A senhora Manuela Eanes fala em ética. Mas ela sabe muito bem que os partidos de esquerda não tem ética nem moral e são contra a religião. Assim sendo, pergunto: porque é que esta Senhora apoiou o António Costa, sabendo que ele não tem ética, não tem moral e é contra a religião ? Ela não saberá que isto é tudo obra arquitetada pela esquerda para distrair o povo , desviando - o dos reais problemas do País? No primeiro Governo, ele foi PM por usurpação. Ela manteve - se em silêncio. Nas eleições para este segundo, apoiou - o . De quantas mordomias não gozará, esta senhora, no instituto de apoio à criança? Os administradores infiéis de esquerda enchem - lhe mais a barriga! Cristo cansou - se de falar contra a esquerda, a quem apelidou de CABRITOS. Esta Senhora, que se diz católica, desconhecerá isso ? Ou vai à missa para fingir que é católica? Cristo disse: A árvore conhece - se pelo fruto. E advertiu: Ai de vós, escrivas e fariseus, sepulcros pintados por fora e podres por dentro. Dias virão em que vos pedirei contas. As prostitutas e as mulheres de má vida entram primeiro que vós no Reino dos Céus. Boa noite.