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24 ou 14 dias de incubação? DGS diz que "para já nada se altera" na prevenção do coronavírus

11 fev, 2020 - 13:08 • Ana Rodrigues , Marta Grosso

Investigadores chineses anunciaram que o período de incubação da doença pode chegar 24 dias. Graça Freitas diz que este "é apenas mais um estudo”. Infeciologista lembra que é preciso "saber o que é frequente e o que é raro”.

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A Direção-Geral de Saúde (DGS) admite rever as medidas de proteção contra o novo coronavírus, mas, para já, pede prudência face aos resultados do estudo conhecido nesta terça-feira sobre o período de incubação.

Um mês depois do início do surto, um grupo de 37 cientistas veio dizer que o período de incubação da doença pode, afinal, ser mais longo, chegando mesmo aos 24 dias – e não 14, como se pensava.

Face a estes dados, a diretora-geral de Saúde pede prudência e refere que, "para já, nada se altera quanto a medidas de prevenção".

Em declarações à Renascença, Graça Freitas diz que este estudo "é apenas mais um e que, antes de se alterarem procedimentos, é preciso conhecer melhor a doença".



A DGS "ainda está a analisar essa informação", garante, acrescentando que "ainda há lacunas no conhecimento sobre a evolução desta doença, nomeadamente no que que se refere ao período de incubação e velocidade com que a doença se transmite".

Graça Freitas assegura que, nesta fase, "as medidas de prevenção adotadas por Portugal são as mais adequadas", até porque, sublinha, estamos “a seguir as orientações da Organização Mundial de Saúde”.

E são suficientes? “É evidente que se não achássemos que, nesta data fossem suficientes, já as teríamos mudado”, responde a diretora da DGS, lembrando que a "OMS, neste momento, é muito cautelosa quanto às medidas que se podem tomar em determinadas fases".

“De um modo geral, seguimos as orientações da Organização Mundial de Saúde, sabendo que no nosso país temos liberdade de adaptar medidas e assim o faremos se considerarmos necessário", sublinha por fim.

“Em medicina, temos de saber o que é frequente e o que é raro”

O infeciologista Filipe Froes também reage, na Renascença, à nova descoberta, sublinhando que, “em medicina, nós temos de saber o que é frequente e o que é raro”.

“E o que é frequente é, neste contexto, os períodos de incubação desta doença, em 95% dos casos, serem até aos primeiros sete dias”, afirma.

Filipe Froes destaca que a conclusão do último estudo indica que, “provavelmente, alguns doentes podem ter um período de incubação superior àquilo que tinha sido detetado até agora”.

Contudo, “alguns doentes, em circunstâncias excecionais, podem ter um período maior. Isso obriga a rever alguns comportamentos e algumas medidas, mas sobretudo a ter uma maior capacidade de diagnosticar e de detetar quais os doentes e quais as características desses doentes que fazem com que apresentem períodos de incubação maiores”, explica o especialista.

“No fundo, é um regresso à base da medicina, que é 'mais importante conhecer o doente que tem a doença do que a doença que o doente tem'”, resume.

Nestas declarações à Renascença, Filipe Froes considera ainda que este estudo “significa que ainda estamos a conhecer a doença, que ainda não conhecemos todas as suas características epidemiológicas, que temos de manter um elevado nível de precaução e que temos de tentar, sobretudo, caracterizar quais os fatores que estão associados a essas características”.

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