|

 Confirmados

 Suspeitos

 Recuperados

 Óbitos

Francisco Sarsfield Cabral
Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
A+ / A-

​Portugal, a UE e a Huawei

10 fev, 2020 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


Tal como os seus parceiros europeus, incluindo o Reino Unido, Portugal não excluirá, à partida, a Huawei da construção da rede móvel da quinta geração. Haverá limites e precauções. Mas a quarta geração ainda não cobre todo o território nacional.

Na passada sexta-feira o Governo divulgou os seus projetos quanto à instalação, em Portugal, da quinta geração de redes móveis (5G). E seguiu a orientação dos países europeus de não excluírem, à partida, a empresa chinesa Huawei, nem qualquer outro fornecedor, da nova tecnologia - mas tomarem precauções.

No caso português, as medidas concretas para impedir que a segurança e a integridade das redes sejam violadas por eventuais ações de espionagem serão propostas por um grupo de trabalho a constituir e que funcionará em permanência. Quer isto dizer que Portugal, tal como os seus parceiros da UE, não rejeita a participação da Huawei, embora certamente limitada. E não quer ter apenas um único fornecedor no 5G nacional, o que é sensato.

No ano passado um em cada cinco “smartphones” vendidos em Portugal um foi fabricado pela Huawei. Nesta empresa trabalham cerca de 130 pessoas no nosso país – e em breve serão mais.

Os EUA têm pressionado os outros países para que rejeitem qualquer participação desta grande empresa chinesa nas suas redes móveis. A Austrália seguiu o desejo americano – mas o Reino Unido, agora com um pé fora da Europa comunitária, tomou uma posição próxima daquela adoptada pelos Estados membros da UE: não fecha a porta à Huawei na construção da nova rede, mas exclui a empresa de sectores sensíveis da rede; a Huawei poderá participar em apenas 35% da rede do Reino Unido. Entretanto a multinacional britânica Vodafone, a segunda maior operadora mundial de redes móveis, anunciou que iria remover os equipamentos fabricados pela Huawei dos núcleos centrais das suas redes na Europa.

Apesar das restrições britânicas à Huawei no 5G, Trump fez um telefonema furibundo ao primeiro-ministro, Boris Johnson, por este não ter acatado a orientação americana, de exclusão total. Mas, desde que sejam tomadas as precauções adequadas, é razoável que os europeus queiram aproveitar o preço relativamente baixo da Huawei e a qualidade avançada da tecnologia da empresa, o maior investidor mundial neste sector.

A Huawei é uma empresa privada; mas, na China, uma empresa apenas pode atingir a dimensão da Huawei se mantiver estreitas relações com o poder político, o partido comunista chinês. Daí o risco de espionagem tecnológica. Como já aqui referi, o problema coloca-se, em geral, ao investimento direto chinês em Portugal, mas as telecomunicações são uma área particularmente sensível.

Neste compreensível empenho por termos em Portugal a quinta geração de redes móveis convém não esquecer que a quarta geração ainda não cobre todo o território nacional. Há entidades importantes, como escolas, que não são ainda abrangidas. Um atraso que não deve ser tolerado por mais tempo.

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.