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XIV Congresso da CGTP-Intersindical

E aos 50 anos, a CGTP pode ter uma secretária-geral

07 fev, 2020 - 23:35 • Ana Carrilho

Central sindical vai ter novo líder. Há vários candidatos e dois dos maiores são mulheres.

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Para já, a única certeza é que Arménio Carlos deixa o cargo de secretário-geral no congresso, que se realiza nos próximos dias 14 e 15, na Torre da Marinha, no Seixal.

Arménio Carlos, que sucedeu a Manuel Carvalho da Silva e ocupou o cargo durante oito anos, fará o discurso de abertura mas o de encerramento já é da responsabilidade do novo ou nova líder da central sindical.

Nunca houve tanto suspense sobre o sucessor/a na liderança da INTER. Há vários nomes que vão sendo falados, mas só na reunião da comissão executiva agendada para segunda-feira a decisão deverá ser tomada e, posteriormente, confirmada no congresso. Mas nos últimos dias, o nome de Isabel Camarinha, coordenadora do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP) ganhou peso. O que não quer dizer que José Manuel Oliveira, José Correia, Rogério Silva, Ana Pires ou Fátima Messias tenham desaparecido da lista.

Líder de transição ou para fazer vários mandatos: qual será a escolha?

Isabel Camarinha, até há pouco tempo Coordenadora do CESP, é o nome mais falado nos últimos dias para suceder a Arménio Carlos na liderança da CGTP. Foi “libertada” da coordenação do sindicato precisamente para passar a exercer funções exclusivamente na central sindical.

Nos últimos quatro anos já teve assento na Comissão Executiva por liderar uma das maiores organizações da CGTP. Nas últimas eleições europeias foi candidata da CDU, embora em posição nunca elegível.

Vem da área dos escritórios (é funcionária administrativa do STAL – Sindicato da Administração Local) e quem a conhece considera que é uma pessoa com uma excelente capacidade de relacionamento, de envolver os outros nas decisões e de exponenciar o coletivo. Mas, aos 59 anos, só terá hipótese de fazer um mandato como secretária-geral, garantindo, no entanto, um período de transição para os mais novos puderem, daqui a quatro anos, assumir o poder por mais tempo.

Se for a escolhida, a CGTP passa também um sinal mais claro que tem vindo a dar às questões da igualdade (embora o número de mulheres sindicalistas continue a ser significativamente inferior ao dos homens). Com um significado acrescido no ano em que a Intersindical completa 50 anos.

Entre os “mais novos” com grandes hipóteses de ascender ao cargo de secretário/a-geral está outra mulher e que também veio do CESP: Ana Pires. Tem 40 anos e no último mandato já esteve só na central sindical e com dois pelouros de peso: a propaganda e o emprego. É uma das representantes da INTER na Comissão Permanente de Concertação Social. No entanto, há quem defenda que precisa de mais alguma experiência e disponibilidade pessoal e familiar - tem filhos pequenos - para assumir um cargo tão exigente. Terá, certamente, uma palavra a dizer num futuro mais ou menos próximo.

Rogério Silva é um pouco mais velho (está à beira dos 50) e até há pouco tempo era apontado como “o melhor colocado” para suceder a Arménio Carlos. Começou a trabalhar muito cedo e foi coordenador da Interjovem. Oriundo das Indústrias Elétricas, de que foi dirigente, é coordenador, desde 2012, da poderosa federação das indústrias transformadoras, a FIEQUIMETAL, que agrega setores tão diversos, significativos e emblemáticos no movimento sindical como os da metalurgia, química, farmacêutica, celulose, papel, gráfica, energia, minas e indústrias elétricas. É visto como um excelente dirigente sindical, que tem feito um ótimo trabalho na FIEQUIMETAL. Já está na comissão executiva, mas também há quem considere que precisaria de ter mais experiência, com algum pelouro, antes de assumir a secretaria geral.

Outros nomes são também falados, embora, à partida, com menos hipóteses: José Manuel Oliveira, da FECTRANS, e Libério Domingues, coordenador da União de Sindicatos de Lisboa. Dois homens com muita experiência sindical, mas muitos trabalhos entre mãos, que os deixam com pouca disponibilidade para assumir a liderança da INTER. E já o terão manifestado. Há ainda José Correia, coordenador do STAL, e Fátima Messias, que foi coordenadora da federação que agrega os sindicatos da construção, cimentos e cortiças. Tem grande e longa experiência sindical, pertence à comissão executiva desde 2004 e tem sido responsável pela área da Igualdade. O facto de ser mulher de Arménio Carlos acaba por a prejudicar na “corrida”.

O nome do novo/a secretário-geral da CGTP deverá ser conhecido depois da reunião da comissão executiva, agendada para segunda-feira. E confirmado na eleição dos órgãos, que terá lugar durante o congresso, a decorrer no próximo fim-de-semana na Torre da Marinha, Seixal.

E nessa altura se saberá se a escolha é entre um líder de transição ou alguém que assegure vários, pelo menos dois, mandatos e dê mais estabilidade à estrutura sindical.

Mantém-se relação de forças e número de dirigentes nos órgãos

O conselho nacional da CGTP tem 147 membros e assim continuará. A lista está aprovada e será votada após o encerramento do primeiro dia de congresso. Reúne logo a seguir e “escolhe” a comissão executiva e o secretário-geral que, no dia seguinte, fará o encerramento.

Estatutariamente, a comissão executiva deve ter entre 20 e 30 membros. Atualmente tem 29 e apesar de ter “espaço”, ainda não deverá ser agora que a tendência bloquista consegue um lugar neste órgão. De resto, a relação de forças deverá manter-se: os comunistas, com vinte membros (dois terços), os socialistas com cinco, os católicos e a Base-Fut, com dois cada.

Depois de eleita, a comissão executiva tem que decidir quem serão os seis elementos do secretariado. Só Fernando Gomes e José Augusto Oliveira permanecem. Outros quatro dirigentes terão que substituir os que saem: Arménio Carlos, João Torres, Graciete Cruz e Deolinda Machado.

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