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Ataques jihadistas já fizeram pelo menos 500 mortos em Moçambique

03 fev, 2020 - 16:30 • Filipe d'Avillez

O bispo da diocese de Pemba fala em “tragédia” e fontes da Renascença no país dizem que a situação em Cabo Delgado está fora de controlo.

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Os ataques jihadistas no norte de Moçambique, na província de Cabo Delgado, já fizeram pelo menos 500 mortos, denuncia o bispo de Pemba, D. Luiz Fernando Lisboa.

Em declarações à fundação Ajuda à Igreja que Sofre, o bispo – de origem brasileira – diz que as forças de segurança moçambicanas não estão a ser capazes de conter a violência.

Só na última semana, diz o bispo, seis ataques na província de Cabo Delgado provocaram uma fuga em massa das populações e destruição generalizada numa série de aldeias, a cerca de 120 quilómetros de Pemba. “Uma tragédia”, lamenta o bispo, que admite que o próprio poderá vir a estar na mira dos terroristas.

“Soube que a escola foi queimada, e depois eles destruíram outras casas de comércio [situadas] ali por perto”, disse D. Luiz Fernando Lisboa, referindo-se a uma escola agrícola onde estudam 500 alunos.

“É uma realidade muito triste, que as forças de defesa e de segurança não estão a conseguir conter se não houver uma ajuda internacional.”

Fontes moçambicanas dizem à Renascença que o Governo chegou a contratar mercenários russos do grupo Wagner para ajudar a fazer face aos insurgentes, mas que ainda assim a situação piorou e está agora descontrolada.

“As aldeias estão a ficar vazias, as pessoas não estão a plantar, então isso significa que haverá fome, e nós temos milhares de deslocados internos”, diz o bispo, sublinhando o perigo de uma crise humanitária por causa desta insurgência que dura há mais de dois anos e três meses. A ONU fala já em cerca de 60 mil deslocados internos no norte de Moçambique por causa dos ataques, mas o bispo acredita que o número pode chegar já aos 100 mil.

Cristãos com medo

Por enquanto não há indícios claros de que os grupos estejam a atacar especificamente cristãos. Os alvos tendem a ser instituições civis e governamentais. Mas ainda assim, a comunidade cristã está particularmente apreensiva.

O próprio D. Luiz Fernando diz ter consciência de que poderá ser alvo dos terroristas. “Estou consciente de que isso pode acontecer. Mas, sinceramente, não tenho medo. Não tenho medo. Estou a tentar cumprir o meu papel, tenho procurado dar apoio aos missionários que estão lá, na linha da frente, que estão nesses distritos onde há ataques, e eles têm sido missionários e missionárias muito corajosos porque muitas vezes são aquele oásis que o povo precisa, para ir lá chorar, para reclamar, para contar o seu problema, para buscar algum tipo de ajuda.”

“Então, eu louvo a Deus, agradeço pela coragem que eles têm tido. Nenhum deles abandonou o posto, estão lá e eu não posso nem tenho o direito de ter medo, justamente para os apoiar e para que eles continuem a cumprir a sua missão. E eu tento fazer a minha da melhor maneira possível”, afirma, nas declarações à AIS.

Comentários
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  • Victor Agostinho
    05 fev, 2020 Pemba 20:02
    E tristeza para nossa Província,e ver rostos tristes porcausa das perdas dos seus bens,afazeres enfim,isso e um crime macabro que não tem explicação,nem mesmo o Senhor não se contenta com a desgraça do seu povo, socorro, socorro, socorro,o gás não pode ser algo de maldição,mais sim de benção,e existem alguns que se contentam com as desgraças alheias, porque ganham com isso, o lucro,não pode ser motivo de desgraça em forma de massacre,o mestre Jesus nos deixou um legado dizendo amai vos uns aos outros,e quem são esses nossos irmãos que se deixam enganar pela miséria a custa dos outros? Senhor Bispo Fernando Lisboa,continue com a sua missão demostrando a sua coragem,tenho fé de que estas iluminado com o nosso Senhor, força, força, força,a maldição não pode ser para o povo afinal de contas oque o povo cometeu? Queremos a paz na nossa Província,e em todo país Moçambique, queremos estudar, trabalhar em paz sem medo de ninguém,por favor somos irmãos,o que querem de facto que não se contentam com o pouco que em Deus e muito? Por favor Senhor ajude o nosso pastor a ter forças para enfrentar essa dificuldade juntamente com os padres e missionários,Se Deus está conosco quem estará contra nós?
  • Nelson
    04 fev, 2020 cidade de Maputo 05:46
    A situação em Cabo-Delgado está realmente fora do controle, as forças de defesa e segurança de Moçambique, demonstram falta de capacidade para controlar essa horrível situação que já matou a muitas pessoas, já destruiu aldeias inteiras, já deslocou a milhares de pessoas dos seus locais de residência e prática agrícola. É hora do governo Moçambicano deixar a arrogância e soberba política, e decretar estado de emergência naquela província e pedir auxílio exterior para conter essa situação, neutralizar os insurgentes e matá-los, esses insurgentes merecem pena de morte, pois se forem presos eles podem causar tumultos nas cadeias e provocar fuga de presos, esses devem ser capturados investigados e aplicados a pena de morte. O governo de Moçambique deve pedir auxílio à SADC, união Áfricana, e países como EUA, CHINA, BRASIL, ITÁLIA, FRANÇA, haja visto que estes últimos têm seus investimentos no país, eles devem ajudar nessa situação.