D. António Augusto Azevedo, em visita pastoral à diocese transmontana, tem encontrado “um povo extremamente acolhedor que gosta de receber bispo, e fá-lo com muita alegria e com sinais muito bonitos” e “um povo com uma grande cultura e uma grande fé”.

O prelado nota que “há uma ou outra dificuldade de algumas zonas, algum envelhecimento”, mas realça que o mais importante é “esta imagem forte de um povo acolhedor, de um povo com fé, de um povo que sabe receber”.

O envelhecimento da população, que se faz sentir em muitas aldeias já quase sem pessoas, preocupa o bispo de Vila Real. D. António Augusto considera que “é um problema complexo para o qual é preciso olhar com muito realismo”.

“Eu diria que, em primeiro lugar, é preciso apoiar os que estão, os mais velhos, dar-lhes as melhores condições, mas creio que é muito premente em toda esta zona interior, e na nossa zona em particular, criar condições para que os mais jovens que querem cá ficar, tenham condições para cá ficar”, sugere.

O bispo de Vila Real considera que “quando os jovens acabam os seus cursos, quando casam, quando formam família”, só é possível permanecerem no território, se existirem “empregos, com condições, com carreiras, para que as pessoas tenham oportunidade de se fixar”.

“Creio que esse é um dos vetores fundamentais, haverá outros com certeza, para as pessoas permanecerem no interior”, diz o prelado.

Questionado pela Renascença, se é necessária uma discriminação positiva para o interior, D. António Augusto não se mostra grande apologista e começa por afirmar que “a palavra discriminação é sempre um bocadinho complicada”.

“Eu creio que há algumas medidas, no sentido de reconhecer que há alguns custos pela interioridade, acho que isso é necessário, ou seja, há alguns aspetos, que a nível da cultura, da economia, das empresas e a outros níveis e dos transportes, etc., que é necessário ter em conta, objetivamente”, defende.

O bispo da Diocese de Vila Real reitera que “não queremos aqui uma discriminação no sentido de favorecimento”, mas defende que é necessário “reconhecer que, objetivamente, para uma empresa, para uma instituição que está sedeada no interior, há custos acrescidos e isso tem que ser reconhecido”.

Considera ainda que é fundamental valorizar o território, “nós, os que estamos cá, e ajudar a que outros que estão noutras zonas do país, conheçam e valorizem o imenso potencial e a imensa riqueza que há aqui”.

“Este é também um outro vetor muito importante. Eu creio que ainda há um grande desconhecimento do interior, da sua cultura e do seu potencial, há um imenso desconhecimento. Há muitos lugares comuns, mas muito pouco conhecimento e, portanto, sem isso é difícil avançar. Mas eu tenho esperança e acredito que medidas boas irão ser tomadas”, conclui o bispo de Vila Real.

D. António Augusto Azevedo foi nomeado, pelo Papa Francisco, bispo da Diocese de Vila Real, no dia 11 maio e tomou posse a 30 de junho de 2019.