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Greve geral. Centenas de serviços encerrados contra "proposta insultuosa do Governo"

31 jan, 2020 - 12:29 • Marta Grosso com Lusa

Ana Avoila lembra as razões da greve desta sexta-feira. Renascença visitou vários hospitais e serviços públicos em Lisboa e no Porto para perceber os efeitos da paralisação.

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Centenas de serviços públicos estão encerrados nesta sexta-feira devido à greve dos trabalhadores da função pública, que estão em protesto contra "propostas insultuosas do Governo" como o aumento salarial de 0,3%, lembra a Frente Comum dos Sindicatos.

"Os serviços de saúde estão nos mínimos", afirmou hoje a coordenadora da Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública, da CGTP, Ana Avoila, assegurando já ter conhecimento de "centenas e centenas de serviços fechados".

Entre os principais motivos para o protesto está a proposta "insultuosa como a que o Governo fez de aumentos de 0,3% aos trabalhadores da Administração Pública", recordou a sindicalista durante a conferência de imprensa realizada nesta sexta-feira de manhã em frente ao Liceu Passos Manuel, em Lisboa.

Para a representante dos trabalhadores "não há argumentos para o Governo fazer o que fez durante o período da 'Troika'" porque agora "há dinheiro" e margem para avançar com aumentos salariais.

"Margem para aumentos há, não acreditamos é que o Governo tenha vontade de fazer os aumentos necessários para os trabalhadores da Administração Pública", disse Ana Avoila, referindo que os trabalhadores tiveram os salários congelados durante 10 anos e agora pedem um aumento de 90 euros que "não cobre os 133 euros necessários para repor o que perderam desde 2009".

Ao longo da manhã, a Renascença avaliou os efeitos da paralisação em vários serviços de Lisboa e Porto.

Na capital, está condicionado o serviço no Hospital de Santa Maria, com ausência de muitos funcionários administrativos e alguns médicos. As consultas de pneumologia não estão a funcionar.

Quanto à recolha do lixo, ficaram por fazer 60 rotas de recolha (das cerca de 120 previstas) a partir do centro dos Olivais e, dos 80 funcionários deste centro, 35 fizeram greve.

Nas escolas, o panorama é deserto. Várias escolas estão fechadas, como, por exemplo a secundária Maria Amália, a secundária Luísa de Gusmão e a Passos Manuel. A meio gás, estão a António Arroio e a Gil Vicente, que abriram portas por ter funcionários em número suficiente, mas os professores faltaram.

No Porto, o cenário é muito semelhante, com o Hospital de São João em serviços mínimos e muitos utentes a voltarem para trás, uma vez que não podem ser atendidos.

Segundo a Fenprof, mais de 90% das escolas estão encerradas. "O difícil hoje é encontrar uma escola a funcionar", afirmou Mário Nogueira, em conferência de imprensa em frente ao Liceu Passos Manuel, em Lisboa.

Segundo o secretário-geral da Fenprof, a taxa de adesão deve-se, em grande parte, aos trabalhadores não docentes. Entre os professores, a adesão deverá rondar entre os 75 e os 80%, segundo números da federação.

Bombeiros profissionais com adesão entre os 80 e 85%

A adesão à greve da função pública dos bombeiros profissionais ronda os 80 e os 85%, de acordo com informação prestada à agência Lusa por fonte da Associação Nacional de Bombeiros profissionais.

"Em algumas localidades, como Figueira da Foz e Lisboa, a adesão é superior, na ordem dos 90%", referiu a mesma fonte da Associação Nacional de Bombeiros Profissionais/Sindicato Nacional de Bombeiros Profissionais (ANBP/SNBP).

A greve geral da função pública foi convocada pela Frente Sindical liderada pelo Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE), da UGT, e pela frente Comum, da CGTP.

Aderiram igualmente outras organizações sindicais, que estão contra a proposta de aumentos salariais de 0,3%, nomeadamente a Federação dos Sindicatos da Administração Público (Fesap), a Federação Nacional dos Professores (Fenprof), a Federação Nacional dos Sindicatos dos Enfermeiros (FENSE), a Federação Nacional dos Médicos (FNAM) e o Sindicato Nacional dos Técnicos Superiores de Saúde das Áreas do Diagnóstico e Terapêutica.

Esta é a primeira greve nacional da função pública desde que o atual Governo liderado por António Costa tomou posse, em 26 de outubro, e acontece a menos de uma semana da votação final global da proposta de Orçamento do Estado para 2020 (OE2020), marcada para 6 de fevereiro.

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