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Mediadores imobiliários temem "consequências terríveis" com alterações ao Vistos Gold

28 jan, 2020 - 14:50

"Foi à custa de investimento estrangeiro que se reconstruiu Lisboa e o Porto e esta medida não vai resolver a pressão imobiliária", diz o presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária.

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A Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária (APEMIP) está preocupada com a proposta do PS para os Vistos Gold, temendo "consequências terríveis".

O presidente da APEMIP, Luís Lima, não tem dúvidas de que Portugal vai perder clientes, caso terminem os incentivos aos investimentos em Lisboa e no Porto: "É uma quebra de confiança entre o investidor e o país. É alterar as regras a meio do jogo. Quem garante, agora, ao investidor, que tem de investir em Vila Real de Santo António ou em Bragança, que daqui a dois ou três anos não acabam com o programa?"

"Foi à custa de investimento estrangeiro que se reconstruiu Lisboa e o Porto e esta medida não vai resolver a pressão imobiliária", lembra Lima, concretizando: "Dizer que há casas que são obrigatoriamente para portugueses ou que os estrangeiros não podem comprar é um erro:"

"Não conheço nenhum país no mundo onde se possa obrigar o investidor a investir onde não quer", reforça o presidente da APEMIP.

"Tenho defendido muito, e sou a favor, que o imobiliário pode ajudar muito a descentralizar o investimento para o interior do país, mas isso tem de ser feito sem bloquear a procura", acrescenta Luís Lima.

"Noventa por cento da construção era sempre no Algarve. Hoje, vende-se o país todo. Portugal passou a estar na rota de captação de investimento não habitacional e isto pode levar-nos a perder muito."

A líder parlamentar do PS, Ana Catarina Mendes, anunciou, na segunda-feira, que o PS pretende resolver da pressão imobiliária em Lisboa e no Porto, propondo, assim, que o Programa dos Vistos Gold seja direccionado apenas para investimentos no interior do país.

Já esta terça-feira, na Renascença, o presidente da Câmara de Lisboa aconselhou "prudência" na introdução de alterações aos também chamados "vistos dourados".

“Aconselharia prudência na gestão da especialidade, porque o Barreiro, Almada, Montijo, Palmela, Setúbal, Loures não são município de Lisboa nem têm a mesma situação imobiliária nem a mesma situação de investimento”, declarou Fernando Medina.

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