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Excesso de higiene está a tornar a nossa saúde mais frágil, alerta investigadora

23 jan, 2020 - 16:35 • Redação

Karina Xavier lidera uma equipa do Instituto Gulbenkian que investigou a diminuição da flora intestinal, causada pelo consumo de antibióticos. Em declarações à Renascença, a investigadora alerta que "as perdas de diversidade microbiota, na nossa sociedade" não se devem apenas a estas substâncias.

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Um grupo de investigação do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC) publicou recentemente um estudo, publicado na revista Nature Microbiology, sobre a perda de diversidade da flora intestinal - também denominada como microbiota - e as consequências desta diminuição na nossa saúde.

Em declarações à Renascença, a líder da equipa, Karina Xavier, explicou um pouco melhor as conclusões desta investigação e alertou para os riscos.

“Neste momento, nós quase que usamos uma higiene excessiva, com muitos produtos para combater os micróbios e isso também está a influenciar a perda de diversidade da microbiota”, o que fragiliza a nossa saúde, afirma a investigadora.

Quando esta equipa iniciou a pesquisa o foco era estudar o “impacto dos antibióticos na microbiota”. A conclusão a que chegaram foi clara: após o consumo de antibióticos, “verifica-se uma grande redução, em termos de número e diversidade, destes organismos que vivem nos nossos intestinos”.

E apesar da quantidade recuperar rapidamente, a diversidade permanece bastante alterada e, enquanto não há uma recuperação, o organismo está mais suscetível a infeções.

Identificada bactéria superprotetora

A grande descoberta desta equipa foi a bactéria “Klebsiella michiganensis”, um probiótico presente no intestino humano em baixas concentrações, que consegue reduzir o risco de novas infeções e portas a novas formas de reverter os efeitos secundários dos antibióticos.

Por enquanto, administrar apenas este probiótico é pouco eficaz – até porque só foi estudado no combate da E.Coli e da Salmonella –, mas o objetivo é “identificar outros mecanismos que ajudem à recuperação da microbiota”, e assim conseguir um “cocktail mais completo, que consiga conferir todas as propriedades benéficas da microbiota”.

Em relação aos antibióticos, Karina Xavier realça, constantemente, que “se um médico nos diz para tomar um antibiótico, devemos tomar”, porque “os antibióticos ainda são a melhor maneira de combater agentes infeciosos”. No entanto, estes afetam as bactérias naturais do organismo, que devem ser preservadas.

Rita Oliveira, outro membro da equipa, explica que para além da pressão que, muitas vezes, os pacientes exercem sobre os médicos, para que lhes sejam prescritos antibióticos, ainda não existe “uma forma fácil de detetar qual o agente infecioso que temos e, portanto, é mais fácil e rápido usar os antibióticos de espectro mais largo, o que afeta bastante a microbiota intestinal”.

Karina Xavier realça, contudo, que “estas perdas da diversidade na microbiota, na nossa sociedade, não estão a ser só por causa dos antibióticos”, mas muito pela higiene em excesso, nomeadamente, através de produtos cosméticos e de limpeza muito agressivos.

“São introduções um bocado drásticas que estamos a fazer na nossa comunidade”, conclui a investigadora.

Este estudo foi realizado pelo IGC em colaboração com a Universidade de Stanford, nos Estados Unidos.

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