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CDS. Quem tem medo do congresso?

24 jan, 2020 - 20:05 • Paula Caeiro Varela

Cinco candidatos, muitas dúvidas, uma certeza: a escolha para a sucessão de Assunção Cristas vai ser uma batalha difícil e os resultados são imprevisíveis. O congresso de Aveiro promete ficar para a história, não necessariamente pelos melhores motivos.

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O vigésimo oitavo congresso do CDS arranca este sábado em Aveiro para escolher o sucessor de Assunção Cristas, mas não há quem arrisque resultados definitivos. Entre João Almeida, Francisco Rodrigues dos Santos e Filipe Lobo de Ávila será, Abel Matos Santos e Carlos Meira não serão. Prognósticos além disto, parafraseando Paulo Portas, são apenas atrevimentos.

Do que nenhuma das três principais candidaturas parece duvidar é que não vai ser bonito. “Desejo muito enganar-me”, dizem quase todos, mas todos esperam um combate duro e todos temem que possa soçobrar a elevação exigida a momentos como o da escolha democrática de um líder de um partido político.
Só que o CDS é um partido tripartido, depois dos quatro por cento, resultado desastroso nas últimas legislativas, que reabriu feridas e que ninguém sabe bem como - ou sequer se - podem ser curadas. A eleição de novos deputados de novos partidos à direita tem contribuído para uma discussão interna acesa sobre o rumo que deve seguir o velho CDS.

Apoiantes das três principais candidaturas dizem à Renascença que contam ganhar, mas todos admitem que as contas deixam margem para outras possibilidades. João Almeida, único que fez parte da atual direção, e Francisco Rodrigues dos Santos, líder da Juventude Popular são os mais bem colocados, de acordo com as contas de delegados, mas no CDS a moção de estratégia mais votada não significa automaticamente a eleição do líder e abre espaço a negociações de última hora. O que ficar em primeiro pode ser ultrapassado por uma aliança do segundo e terceiro mais votados, colocando na direção uma “geringonça” centrista, que faz torcer o nariz a alguns, mas ninguém nega que seja possível.

João Almeida está mais distante de Francisco Rodrigues dos Santos. Filipe Lobo de Ávila mais capaz de fazer pontes com um ou com outro. “Se o Almeida ganhar, o Lobo d’ Ávila e o Francisco podem unir-se”, admitem fontes das várias candidaturas. Mas a Renascença sabe que Lobo d’Avila e João Almeida têm vindo a conversar de forma a conseguirem evitar uma vitória do líder da Juventude Popular.

Sem certezas, com muitos telefonemas, muitas conversas e muita intriga de bastidores, as horas até à votação prometem espetáculo mediático, mas não necessariamente um espetáculo digno. Entre os que estiveram com Assunção Cristas, teme-se uma “limpeza étnica” se Francisco Rodrigues dos Santos ganhar. A batalha vai ser dura e deve ir madrugada dentro.

Congresso pela madrugada

A preocupação com o decorrer dos trabalhos levou o presidente do Congresso, Luís Queiró, a promover reuniões com os subscritores das várias moções de forma a fazer um programa consensual. Não conseguiu unanimidade, pelo que também essa questão processual pode dar azo a discussões já em pleno congresso.

O que ficou delineado nas reuniões com Queiró foi que o congresso deve começar cedo. O discurso de despedida de Assunção Cristas está previso para as 10h e a líder cessante não irá participar no resto dos trabalhos, podendo só voltar a Aveiro para o encerramento.

A partir das 11h, está prevista a apresentação das moções de estratégia global. São 12, mais do que os candidatos à liderança, e ficou acordado que o primeiro subscritor de cada moção escolhe quem defende as suas ideias. Mas em 7 rondas. Ou seja, haverá sete rondas de 12 intervenções escolhidas pelos subscritores das moções. A oitava ronda, prevista para a reabertura dos trabalhos, depois do jantar, ou seja 84 discursos depois, deverá ser assumida pelos primeiros subscritores das moções. Só a partir daí as intervenções serão abertas à generalidade dos congressistas que entretanto se inscreverem para falar.

De acordo com o programa, às 23h os delegados começam a votar nas moções, O voto é em urna e deve decorrer até meia hora depois da última intervenção. “As urnas encerram 30 min depois do término do debate – máximo 2h30”, lê-se no programa deste congresso. Os resultados, na melhor das hipóteses, serão conhecidos madrugada fora.

A votação das moções será assim como que uma espécie de primeira volta, que pode depois dar azo a alianças, desistências, tentativas de listas comuns para os órgãos do partido. E a votação para os órgãos dirigentes decorre entre as 9h30 e as 12h30 de domingo. A sessão de encerramento está prevista para as 13h30, mas há quem defenda, como o candidato Abel Matos Santos, que pode haver necessidade de o congresso se prolongar pela tarde de domingo.

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