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Dar uma vida digna às crianças de Moçambique é a missão da Associação Amigos de Inharrime

21 jan, 2020 - 14:30 • Ana Lisboa

Para este ano, há novos projetos: as bolsas universitárias e a construção de um lar para jovens que vivem longe da escola.

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A Associação Amigos de Inharrime foi fundada em 2015, cumprindo um sonho antigo de alargar os laços de solidariedade entre Portugal e Moçambique.

Esta é uma instituição sem fins lucrativos, reconhecida como ONGD pelo Instituto Camões, criada com o propósito de colaborar com as Filhas de Maria Auxiliadora, uma congregação religiosa fundada pela Família Salesiana, que gere um Centro que acolhe e apoia crianças e jovens.

Desenvolve projetos que visam colmatar as necessidades mais básicas, como a alimentação, saúde e educação.

Teve o apoio da Irmã Lucília, responsável pelo Centro Laura Vicuña que há 15 anos acolhe 70 meninas órfãs e outras 50 provenientes de famílias muito pobres que não as podem sustentar. E também é responsável por uma escola pública que acolhe três mil crianças e jovens do primeiro ao décimo segundo ano.

Está localizado na vila de Inharrime, província de Inhambane, que fica a cerca de 400 quilómetros da capital, Maputo.

O desenvolvimento deste centro só tem sido possível graças às ajudas que recebe, nomeadamente desta Associação de Amigos que tem vários programas de intervenção com impacto significativo na vida da comunidade local.

É o caso do programa Pão para Todos que oferece pão “a cerca de mil crianças todos os dias em duas escolas primárias no distrito de Inharrime”, explica a vice-presidente desta instituição.

Rita Leitão reconhece que “este programa tem como principal intuito aumentar o rendimento escolar. E como é que isso acontece? Existem estudos e, aliás, um dos Objetivos do Milénio diz que um programa de apoio alimentar é um dos grandes incentivos para os pais matricularem as crianças nas escolas. Porquê? Porque as crianças vão á escola e, em contrapartida, recebem o pão. E os pais não têm de se preocupar com essa refeição, para além disso, as próprias crianças sentem o estímulo de ir à escola para comerem esta refeição e, depois, aumenta claramente o rendimento escolar, uma vez que nenhuma criança consegue aprender de estômago vazio”.

Quem quiser ser “amigo do pão”, deverá contribuir com 80 euros por ano.

Outro projeto disponível para quem quiser ajudar é o apadrinhamento. Atualmente, há “cerca de 500 crianças apadrinhadas. A relação que se estabelece é muito bonita, porque criam-se laços afetivos entre a criança apadrinhada e o padrinho, através da entrega de postais, fotografias. E temos muitos casos em que o próprio padrinho vai visitar a criança a Moçambique e esta ligação acaba por ser muito especial”.

Ser padrinho ou madrinha de uma criança custa 100 euros ao ano. Um apoio que faz a diferença na vida dos mais pequenos.

Mas há outras maneiras de ajudar: com donativos, sendo sócio, são 12 euros por ano, ou através da consignação do IRS.

Apelo ao voluntariado

Outra forma de estar presente na vida destas crianças é sendo voluntário. Rita Leitão admite que “os voluntários têm um impacto enorme, porque estão dispostos a levar amor e não há nada mais importante do que isso. Por mais contributo monetário que nós demos, o amor, estar presente é, sem dúvida, o que aquelas crianças mais precisam. (…) Os voluntários são tão importantes também para trazer alegria juvenil. (…) Trabalham no apoio escolar, nos nossos programas. Vão com o espírito de servir. E quando é assim, fazem coisas maravilhosas por todos”.

Neste momento, há um total de 23 voluntários. Mas estão sempre a precisar de quem queira ajudar.

E há um que é imprescindível, que é o chamado voluntário anual. “São os nossos olhos em Moçambique. É o responsável por todos os projetos e por nos responder diretamente. Para além de todo o apoio nos projetos, também é responsável por organizar e dinamizar os voluntários de curto prazo”.

Para 2020, há vários projetos que serão postos em prática. Um deles tem a ver com as Bolsas Universitárias. Trata-se de um programa que já existe de forma informal, mas agora irá tornar-se oficial.

Serve para ajudar os jovens a pagar não só as propinas, mas outras despesas, como é o caso do alojamento e da alimentação.

O valor do donativo deverá rondar os 400 euros anuais, mas tudo depende do Instituto e da Faculdade para onde o jovem for estudar.

Para este novo ano estão ainda previstos concertos solidários. O primeiro será a 29 de fevereiro com a Orquestra Sinfónica do Tejo.

O dinheiro angariado nestes concertos destina-se para um outro projeto: a reconstrução da escola de Moatise, que é uma vila na província de Tete, na zona norte do país.

As verbas destinam-se ainda para “a construção de um lar para jovens que vivem muito longe da escola e, por causa disso, acabam por faltar muito às aulas. O objetivo e melhorar o rendimento escolar”.

São mais projetos que têm sempre como missão ajudar as crianças e jovens de Moçambique a terem uma vida mais digna e um futuro mais feliz.

Para saber mais informações, pode consultar o site desta associação.

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