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Jacinto Lucas Pires-Henrique Raposo
Um escritor, dramaturgo e cineasta e um “proletário do teclado” e cronista. Discordam profundamente na maior parte dos temas. À segunda e quarta, às 9h15
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Henrique Raposo e Jacinto Lucas Pires - Caso Luanda Leaks
Henrique Raposo e Jacinto Lucas Pires - Caso Luanda Leaks

Henrique Raposo

Luanda leaks. “Toda a gente sabia”

20 jan, 2020 • Miguel Coelho , Filipe d'Avillez


Henrique Raposo e Jacinto Lucas Pires criticam a subserviência que existiu em Portugal em relação a Isabel dos Santos e o dinheiro de Angola em geral e lamentam o estado a que chegou o Livre.

Toda a gente sabia que Angola era das piores e mais nepotistas ditaduras do mundo e é preciso pressionar as pessoas que ajudaram e facilitaram a vida a Isabel dos Santos nos seus negócios em Portugal, consideram os dois comentadores da Renascença, Henrique Raposo e Jacinto Lucas Pires.

No seu habitual espaço de debate na Renascença o tema das Luanda leaks foi tema obrigatório. Henrique Raposo não tem dúvidas em criticar a elite portuguesa.

“Ninguém pode ficar surpreendido. Toda a gente sabia”, diz, acrescentando que o caso agora exposto, de um alegado desvio de 100 milhões de euros da empresa Sonangol, põe em causa “a elite portuguesa e a maneira como foi conivente com Isabel dos Santos. Lembro-me como até há muito pouco tempo quando eu ou o Henrique Monteiro criticávamos a Isabel dos Santos no Expresso havia mau estar, silêncios e recebíamos do Jornal de Angola acusações de racismo, portanto era um tema melindroso.”

Apesar de achar que Ana Gomes por vezes exagera, neste caso Henrique Raposo aponta-a como exemplo. “Neste caso tem toda a razão, tem de haver pressão política e mediática, e o Ministério Público dirá se jurídica, sobre as pessoas. Não é Portugal e Lisboa em abstrato, são as pessoas em concreto que ajudaram Isabel dos Santos.”

Também Jacinto Lucas Pires pergunta quem sabia o quê, e quando, em relação a este caso. “Como é que as autoridades sabiam – e parece que sabiam – porque é que não faziam nada? Havia uma subserviência geral em relação ao dinheiro e ao poder de Angola que é inexplicável.”

“É triste que estas revelações só surjam agora, depois de o poder ter virado. São acusações muito graves e os indícios são numerosos, e os números são tremendos e por isso espero que as autoridades façam o que têm de fazer.”

Bloco merecia mais que o Livre

Também a situação do partido Livre, e a sua deputada Joacine Moreira, mereceram a atenção dos dois comentadores.

Henrique Raposo lamenta que o partido esteja a passar por isto e diz que outros até mereciam mais. “Isto explodiu num partido que não merecia isto. O Bloco de Esquerda merecia mais este tipo de circo do que o Livre.”

Já sobre a deputada, diz que se trata do politicamente correto com braços e pernas. “É aquilo que se percebeu nos últimos meses. Ela parece quase uma caricatura do politicamente correto, é o politicamente correto com pernas e braços. Ela acha que por ser mulher, por ser gaga e por ser negra não pode ser criticada, e criticá-la é ser ou machista, ou insensível em relação à gaguez, ou racista.”

Jacinto Lucas Pires toma nota da desculpa dada pela deputada para não renunciar ao mandato. “Ela põe a coisa em termos de que não pode renunciar ao mandato para as pessoas não se sentirem defraudadas, mas é exatamente o oposto, porque as pessoas se sentem defraudadas é que ela tem de renunciar ao mandato.”

“Acho que é preciso esclarecer isso, porque ela não representa individualmente nada em termos políticos, só o que vimos foi incompetência, trapalhada, vaidade. Uma falta de capacidades políticas mínimas para desempenhar as funções.”

Para o partido se manter relevante, considera, tem de rever a forma como escolhe os candidatos. “Que alguma coisa correu mal parece-me óbvio. E acho que também falta fazer essa discussão interna, e falta tomar decisões com clareza. Este era o momento e perdeu-se esse momento.”

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  • Francisco Sousa
    20 jan, 2020 23:37
    Mas toda a gente sabia... o que?! Será que o dinheiro de Isabel dos Santos não serviu a Portugal? E os senhores, para além de opinar, são responsáveis por algum investimento? Criam, por acaso, postos de trabalho? Fomentam algum desenvolvimento económico?