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Relatório da Oxfam

Os 2.000 mais ricos têm mais dinheiro do que 60% da população mundial

20 jan, 2020 - 11:11 • Redação com agências

Relatório "Tempo de Cuidar", da Oxfam, alerta para o facto de a desigualdade global estar em níveis recordes. O número de bilionários duplicou na última década.

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As 2.153 pessoas mais ricas do mundo tinham em 2019 mais riqueza do que 60% da população mundial, segundo o relatório da Oxfam “Tempo de Cuidar - O trabalho de cuidador mal remunerado e não pago e a crise global da desigualdade”.

Segundo o documento da organização não-governamental, revelado na véspera do Fórum Económico Mundial de Davos, na Suíça, o grande fosso entre ricos e pobres baseia-se num sistema económico sexista e falhado, que valoriza mais a riqueza de um grupo de poucos privilegiados, na sua maioria homens, do que vários milhões de horas dedicadas ao trabalho mais essencial - o de cuidador não remunerado ou mal pago.

De acordo com dados do relatório, a desigualdade global está em níveis recordes e o número de bilionários duplicou na última década.

Os 22 homens mais ricos do mundo detêm mais riqueza do que todas as mulheres que vivem em África. Um por cento dos mais ricos do mundo detêm mais do dobro da riqueza de 6,9 mil milhões de pessoas.

As tarefas diárias de cuidar de outras pessoas, cozinhar, limpar, buscar água e lenha são essenciais para o bem-estar de sociedades, comunidades e para o funcionamento da economia. A pesada e desigual responsabilidade por esse trabalho de cuidado perpetua as desigualdades de género e económica, escrevem os autores do relatório.

“Milhões de mulheres passam boa parte de suas vidas a fazer trabalho doméstico e de cuidados, sem remuneração e sem acesso a serviços públicos que possam ajudá-las nessas tarefas tão importantes”, alertou a directora executiva da Oxfam Brasil, Katia Maia.

Segundo a Oxfam, as mulheres fazem mais de 75% de todo trabalho de cuidados não remunerado do mundo. Frequentemente, diz a organização, elas trabalham menos horas nos seus empregos ou têm que abandoná-los por causa da carga horária com o cuidado de crianças, idosos e pessoas com doenças e deficiências físicas e mentais bem como o trabalho doméstico diário.

A organização alerta que o problema deve-se agravar na próxima década à medida que a população mundial aumenta e envelhece. Estima-se que 2,3 mil milhões de pessoas, entre idosos e crianças, vão precisar de cuidados em 2030, um aumento de 200 milhões desde 2015.

De acordo com a organização, no mundo, os homens detêm 50% a mais de riqueza do que as mulheres.

Novas estimativas do Banco Mundial revelam que quase metade da população no mundo sobrevive com menos de 5,50 dólares (4,9 euros) por dia e que a taxa de redução da pobreza caiu pela metade desde 2013.
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