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Prisão preventiva para suspeitos da morte de Giovani Rodrigues

17 jan, 2020 - 23:31 • Redação com Lusa

Os cinco homens, com idades entre os 20 e os 35 anos, estão indiciados por um crime de homicídio qualificado e três tentativas de homicídio.

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Os cinco suspeitos da morte de Giovani Rodrigues ficam a aguardar o desenrolar do processo em prisão preventiva. A decisão foi determinada esta sexta-feira por um juiz do Tribunal de Bragança, que afasta a motivação por ódio racial.

O tribunal sustenta que a decisão, em síntese, "se traduz na afirmação da existência de fortes indícios da prática, por cada um dos arguidos, em coautoria material e concurso real, de quatro crimes de homicídio qualificado, um dos quais consumado, sendo dele vítima Giovani Rodrigues, e os restantes três na forma tentada", relativos às agressões aos outros três elementos do grupo de cabo-verdianos.

Segundo o tribunal, não foi "apurado qualquer indício no sentido de os factos praticados pelos arguidos terem sido determinados por ódio racial ou gerado pela cor, origem étnica ou nacionalidade das vítimas".

A decisão esclarece que "a especial censurabilidade que, nesta fase indiciária, justifica a qualificação dos crimes assenta na circunstância de os arguidos terem sido determinados nas suas ações por motivo fútil e ainda por atuarem em grupo".

Os arguidos residem todos em Bragança e foram detidos, na quinta-feira. De acordo com a informação avançada pela Polícia Judiciária, têm entre os 22 e os 35 anos, alguns deles desempregados.

Esta sexta-feira de manhã, a Polícia Judiciária (PJ) já tinha revelado que os cinco detidos pelo envolvimento na morte do estudante cabo-verdiano, de 21 anos, estavam indiciados por um crime de homicídio qualificado e três tentativas de homicídio.

"Os cinco detidos estão indiciados por homicídio qualificado. Daquilo que é possível dizer, porque a investigação é dinâmica, na base dos factos estão motivos fúteis, motivos de uma desavença que ocorreu no interior do espaço lúdico e que teve, depois, desenvolvimento no seu exterior", afirmou o diretor nacional da PJ, Luís Neves.

A direção nacional da PJ realizou esta sexta-feira, em Vila Real, uma conferência de imprensa "inédita" para dar esclarecimentos sobre o caso da morte do jovem cabo-verdiano Giovani Rodrigues, uma questão que extravasou a investigação criminal e provocou alarme social.

Os cinco homens, de acordo com o diretor nacional da PJ, estão indiciados por um crime de homicídio qualificado e três crimes de homicídio na forma tentada.

Luís Neves acredita que foi detido o "núcleo duro que perpetrou as agressões" e referiu que os arguidos não possuem antecedentes criminais.

A operação foi desencadeada entre quinta-feira e esta noite e decorreu em "total sigilo".

"Contrariamente ao que foi veiculado em termos de redes sociais, não se trata de um crime entre nacionais de um país ou de outro, entre raças. Não se trata nada disso. Trata-se de um crime cometido por gente violenta, num determinado contexto", esclareceu Luís Neves.

A morte do estudante levantou questões sociais e de inserção, pelo que o diretor nacional da PJ fez questão de salientar que Bragança é uma cidade segura e que o país é um "território de grande irmandade, neste caso, com o povo de Cabo Verde".

O estudante cabo-verdiano Giovani Rodrigues foi encontrado sozinho caído numa rua em Bragança e acabou por morrer 10 dias depois, num hospital do Porto.

Com a morte, na madrugada de 31 de dezembro, o caso passou para a alçada da Polícia Judiciária que realizou "buscas domiciliárias, inquirições e interrogatórios de várias pessoas suspeitas de estarem envolvidas nos acontecimentos que determinaram a morte daquele jovem".

Luís Neves referiu que, durante a investigação "ininterrupta" feita após a comunicação do caso a esta polícia, foi recolhida prova testemunhal, ainda as declarações dos arguidos e "outros elementos de prova", que, por uma questão de sigilo, não quis revelar.

[notícia atualizada às 01h08]

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