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Ministério da Saúde é contra agravamento das penas aos agressores de médicos e enfermeiros

17 jan, 2020 - 10:36 • Marina Pimentel

Secretário de Estado da Saúde quer aposta na prevenção e prescreve salas de espera com bom aspeto e alimentos leves. Mas médica diz que não é com chá e bolos que o Governo conseguirá baixar a tensão que se vive no SNS.

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Médica contesta “chazinhos e bolos” para atenuar tensões nas salas de espera
Médica contesta “chazinhos e bolos” para atenuar tensões nas salas de espera

O Ministério da Saúde é contra o agravamento das penas aos agressores de médicos e enfermeiros e defende que a solução passa antes pela prevenção. A posição assumida pelo secretário de Estado da Saúde no programa semanal da Renascença “Em Nome da Lei”.

António Lacerda Sales admite que o reforço da segurança é importante, mas diz que não é pela repressão que se combate a violência nos hospitais e centros de saúde.

“A aposta deve ser na prevenção”, contrariando assim o que os profissionais de saúde pedem na petição que entregaram esta semana na Assembleia da República, na sequência dos últimos episódios de violência de utentes contra médicos e enfermeiros.

Nestas declarações admite que factores como os tempos de espera podem contribuir para o aumento do número de agressões, mas argumenta que os médicos também mudaram de comportamento, “antes tinham um certo estigma mas agora passaram a notificar as ocorrências”.

Para baixar a tensão entre utentes e profissionais de saúde, António Lacerda Sales prescreve salas de espera nos hospitais com bom aspeto, com televisão, com revistas e alimentos leves”. Argumenta o secretário de Estado que “são soluções muitos simples, mas que ajudam a criar um ambiente de menor tensão”.

No entanto, Isabel Martins, uma das médicas que assinaram a petição para o agravamento das penas contra os agressores, considera que não é com chá e bolos que o Governo conseguirá baixar a tensão que se vive no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Também a bastonária da Ordem dos Enfermeiros defende que há outras prioridades quando se fala de criar condições nos hospitais. Ana Rita Cavaco cita o exemplo do hospital de Santarém, onde há vários meses não corre água quente nas torneiras do serviço de urgências.

A ministra da Saúde prometeu apresentar medidas até ao fim do mês para reduzir as agressões contra profissionais de saúde.

Quase 1.000 casos de violência contra profissionais de saúde no local de trabalho foram reportados até ao final de setembro de 2019, segundo números divulgados pelo Governo.

Os dados disponíveis indicam que nos primeiros nove meses do ano passado foram reportados 995 casos na plataforma criada pela Direção-Geral da Saúde (DGS), envolvendo vários grupos profissionais, refere um comunicado conjunto dos ministérios da Administração Interna e da Saúde.

Em 2018, foram comunicados 953 casos, refere o comunicado, adiantando que "as injúrias são o principal tipo de notificação, representando cerca de 80% do total".

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  • António dos Santos
    17 jan, 2020 Coimbra 20:24
    SOU TOTALMENTE CONTRA A VIOLÊNCIA AOS TRABALHADORES DA ÁREA DE SAÚDE (MÉDICOS, ENFERMEIROS E PESSOAL AUXILIAR). TODOS ESTES ENERGRUMES, QUE OS AGRIDEM, DEVEM PERDER O DIREITO AO SISTEMA DE SAÚDE PÚBLICO. No entanto, isto só acontece, porque os médicos, não respeitam os doentes, no que concerne às consultas externas, que são marcadas para a hora X e o doente só é atendido 2 e 3 horas depois, bem como, as consultas começam muito mais tarde, porque o médico só entra quando lhe apetece. Outro motivo é a leviandade com que os médicos emitem baixas e atestados médicos!!! Eu considero que os principais responsaveis do deficit nos sistemas de saúde, são dos médicos, pela leviandade com que emitem as baixas e os atestados médicos.
  • Cidadao
    17 jan, 2020 Lisboa 15:36
    Não há cházinho, nem bolinhos, nem alimentozinhos leves, com televisão e revistinhas em salas de espera limpas, que acalmem pessoas há 4, 5, 6 horas ou mais à espera para ser atendidas numa urgência. NUMA URGÊNCIA, leu bem. E numa urgência, as pessoas querem ser atendidas rápido. Só isto. Esse tal de António Lacerda Sales, é o tipico governante PS. Finge fazer alguma coisa, para que tudo continue na mesma. Porque é que não criam mais uma instituição redundante que não servirá para nada, a não ser para dar tachos aos boys e girls da juventude partidária PS?