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Francisco Sarsfield Cabral
Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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​Europa envelhecida

17 jan, 2020 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


A tendência para um crescente envelhecimento demográfico afeta a Europa. E Portugal é um dos casos mais preocupantes. Embora os nascimentos tenham aumentado.

Surgiram indicações de que o número de nascimentos em Portugal subiu um pouco em 2019, o que já tinha acontecido no ano anterior. Será uma sustentável inversão de tendência? É cedo para saber; os números ainda estão a níveis muito baixos. Mas em Espanha e em França a tendência continua descendente.

A Europa é o continente mais envelhecido do mundo. O que coloca sérios problemas às finanças públicas (menos pessoas ativas a descontarem para as reformas de mais pensionistas, que vivem até mais tarde) e ao próprio crescimento económico, com uma diminuição da força de trabalho e menos gente a consumir.

Segundo projeções, a população de África deverá aumentar 12% até 2025. Outras regiões do mundo terão subidas demográficas – mas a Europa irá perder ainda mais população, sobretudo no Leste e no Sul, pois as subidas na Europa do Norte não compensarão essas perdas.

O Japão é o país mais envelhecido do mundo, tendo a maior percentagem da população com mais de 65 anos. E aquele país não possui uma cultura aberta a imigrantes. Também na China e na Coreia do Sul se acentua o envelhecimento demográfico. Mas é na Europa onde essa tendência surge mais nítida. Em 1950 cerca de 13% da população europeia tinha mais de 65 anos, proporção que em 2035 deverá atingir 25% - praticamente duplica.

Ora Portugal, Grécia, Itália e Espanha têm as mais baixas taxas de fertilidade na Europa, bem menos do que os 2.1% por mulher em idade de ter filhos, número necessário para que a população não diminua. Daí que seja positivo o aumento da imigração em Portugal, que em 2019 terá atingido os 580 mil imigrantes. Claro que uma parte deles, como os que beneficiaram de vistos “gold”, não irão resolver o problema nacional de falta de mão-de-obra. Mas muitos outros atenuam essa falta – como se viu numa recente reportagem da Renascença na zona de Odemira.

De notar, ainda, que a maioria dos países da Europa do Leste teve nos últimos vinte anos taxas muito elevadas de emigração líquida. Por exemplo, a população ativa da Bulgária diminuiu 6% desde 2008.

Como se sabe, Portugal não está imune a essa saída de ativos, por vezes altamente qualificados, mas o problema tem vindo a atenuar-se. Por outro lado, a participação de mulheres no mercado de trabalho é relativamente alta no nosso país, o que também é uma ajuda importante.

Seja como for, Portugal, como outros países, tem que tomar consciência do inexorável e progressivo envelhecimento demográfico. O que vai mudar – já está a mudar – muita coisa.

Surgiram indicações de que o número de nascimentos em Portugal subiu um pouco em 2019, o que já tinha acontecido no ano anterior. Será uma sustentável inversão de tendência? É cedo para saber; os números ainda estão a níveis muito baixos. Mas em Espanha e em França a tendência continua descendente.

A Europa é o continente mais envelhecido do mundo. O que coloca sérios problemas às finanças públicas (menos pessoas ativas a descontarem para as reformas de mais pensionistas, que vivem até mais tarde) e ao próprio crescimento económico, com uma diminuição da força de trabalho e menos gente a consumir.

Segundo projeções, a população de África deverá aumentar 12% até 2025. Outras regiões do mundo terão subidas demográficas – mas a Europa irá perder ainda mais população, sobretudo no Leste e no Sul, pois as subidas na Europa do Norte não compensarão essas perdas.

O Japão é o país mais envelhecido do mundo, tendo a maior percentagem da população com mais de 65 anos. E aquele país não possui uma cultura aberta a imigrantes. Também na China e na Coreia do Sul se acentua o envelhecimento demográfico. Mas é na Europa onde essa tendência surge mais nítida. Em 1950 cerca de 13% da população europeia tinha mais de 65 anos, proporção que em 2035 deverá atingir 25% - praticamente duplica.

Ora Portugal, Grécia, Itália e Espanha têm as mais baixas taxas de fertilidade na Europa, bem menos do que os 2.1% por mulher em idade de ter filhos, número necessário para que a população não diminua. Daí que seja positivo o aumento da imigração em Portugal, que em 2019 terá atingido os 580 mil imigrantes. Claro que uma parte deles, como os que beneficiaram de vistos “gold”, não irão resolver o problema nacional de falta de mão-de-obra. Mas muitos outros atenuam essa falta – como se viu numa recente reportagem da Renascença na zona de Odemira.

De notar, ainda, que a maioria dos países da Europa do Leste teve nos últimos vinte anos taxas muito elevadas de emigração líquida. Por exemplo, a população ativa da Bulgária diminuiu 6% desde 2008.

Como se sabe, Portugal não está imune a essa saída de ativos, por vezes altamente qualificados, mas o problema tem vindo a atenuar-se. Por outro lado, a participação de mulheres no mercado de trabalho é relativamente alta no nosso país, o que também é uma ajuda importante.

Seja como for, Portugal, como outros países, tem que tomar consciência do inexorável e progressivo envelhecimento demográfico. O que vai mudar – já está a mudar – muita coisa.

Este conteúdo é feito no âmbito da parceria Renascença/Euranet Plus – Rede Europeia de Rádios. Veja todos os conteúdos Renascença/Euranet Plus

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