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Espaço

Portuguesa participa em missão que vai intercetar cometa primitivo

16 jan, 2020 - 11:13 • Lusa

A missão “Comet Interceptor", com lançamento previsto para 2028, vai colocar uma sonda a 1,5 milhões de quilómetros da Terra.

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A astrobióloga portuguesa Zita Martins vai participar numa missão espacial europeia, cuja missão é intercetar pela primeira vez um cometa primitivo, inalterado pela radiação do Sol. O objetivo é obter respostas sobre a origem da vida na Terra.

A missão da Agência Espacial Europeia (ESA) "Comet Interceptor" (Intercetor de Cometa, em tradução livre) tem lançamento previsto para 2028 e será a primeira a recolher informação sobre um cometa que nunca se aproximou do Sol e, por isso, se manteve inalterado desde a sua formação.

"Apanhar" tais cometas tem sido difícil, uma vez que só podem ser detetados quando se aproximam do Sol pela primeira vez, deixando pouco tempo para planear e enviar uma missão espacial na sua direção.

A missão "Comet Interceptor", que conta com a colaboração da agência espacial japonesa (JAXA), vai colocar uma sonda a 1,5 milhões de quilómetros da Terra, na direção contrária ao Sol.

Em conjunto com telescópios terrestres, um deles a ser construído no Chile, o aparelho irá permitir detetar um cometa proveniente da Nuvem de Oort, região nos confins do Sistema Solar, e eventualmente corpos interestelares que entraram no Sistema Solar pela primeira vez e estão na trajetória de aproximação ao Sol.

Assim posicionada, a sonda, a principal, será um "ponto de espera" a um desses cometas, explicou Zita Martins, especialista no estudo da origem da vida na Terra e a única cientista portuguesa que integra a equipa internacional que vai analisar os dados recolhidos na missão.

É como entrar na "máquina do tempo"

Depois de identificar o cometa até então desconhecido, a sonda viajará durante meses ou anos pelo espaço para estar no sítio e no momento certos para intercetar o cometa quando este cruzar o plano da elíptica, o plano da órbita da Terra em relação ao Sol.

Duas sondas mais pequenas serão libertadas da sonda principal antes de se aproximarem do cometa. São estes dois aparelhos que vão circundar o cometa e recolher o máximo de informação possível, incluindo sobre a composição da sua superfície, a forma e estrutura.

Todos os dados obtidos serão transmitidos para telescópios terrestres através da sonda principal com a qual comunicam.

Para Zita Martins, professora no Instituto Superior Técnico, em Lisboa, intercetar um cometa primitivo é como entrar na "máquina do tempo", uma vez que possibilitará desvendar quais "as moléculas orgânicas" disponíveis no início da formação do Sistema Solar e, assim, dar pistas mais concretas sobre a origem da vida na Terra.

Os cometas, vulgarmente descritos como "bolas de gelo sujas", têm na sua composição, além de gelo, poeira, fragmentos rochosos, gás e compostos orgânicos (estes últimos terão chegado à Terra fruto do impacto dos cometas na superfície terrestre).

Missões espaciais anteriores estudaram cometas que entraram várias vezes no Sistema Solar e passaram perto do Sol, que produziu alterações na sua superfície, escondendo a sua aparência original.

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  • me
    20 jan, 2020 17:23
    Ao menos escrever "interceptar". Não é pedir muito.