Tempo
|
A+ / A-

CGTP avisa. "Qualquer dia" o Governo "quer melhorar serviços públicos e não tem trabalhadores"

16 jan, 2020 - 13:34 • Lusa

Líder da central sindical diz que trabalhadores da administração pública deviam ser mais valorizados pelo que a proposta de aumento de 0,3% para a função pública é "desrespeitadora e destruidora da dignidade".

A+ / A-

O líder da CGTP avisou esta quinta-feira que, ou se valoriza o papel da administração pública, ou Portugal pode "correr o risco" de "qualquer dia" o Governo querer melhorar os serviços públicos e não ter trabalhadores.

Em Braga, à margem do congresso da Federação Nacional dos Sindicatos da Função Pública (FNSFP), Arménio Carlos salientou a importância dos funcionários públicos dizendo que, se não tivesse sido pela sua "intervenção", os serviços públicos "teriam colapsado".

Numa ação que marca a despedida de Ana Avoila à frente daquela federação, o líder da CGTP referiu que os trabalhadores da administração pública deviam ser mais valorizados pelo que a proposta de aumento de 0,3% para a função pública, feita pelo Governo, é "desrespeitadora e destruidora da dignidade" daqueles trabalhadores.

"A questão que hoje se coloca à sociedade portuguesa é que, ou se valoriza os trabalhadores dos serviços públicos e da administração pública, ou nós corremos o risco de qualquer dia termos um Governo a dizer que quer melhorar os serviços públicos e não tem trabalhadores disponíveis para continuarem a receber 600, 800 ou 900 euros", avisou.

"Para termos melhores serviços públicos temos que ter melhores profissionais. Para termos os melhores profissionais o Estado e o Governo têm que desenvolver as condições para que possam exercer a sua atividade", continuou.

Segundo Arménio Carlos, "não se pode esquecer" o papel dos trabalhadores da administração pública em Portugal no tempo da 'troika':" Não fosse a sua intervenção e provavelmente muitos dos serviços públicos colapsavam", disse.

Por isso, defendeu, "os trabalhadores da função pública deviam ser mais respeitados e valorizados e a proposta que este governo apresentou no âmbito salarial é não só desrespeitadora como é destruidora da dignidade dos trabalhadores da administração pública".

De saída da função de coordenadora FNSFP, Ana Avoila, igualmente à margem do início do congresso considerou que, "em termos dos direitos dos trabalhadores, houve uma regressão muito grande (nos últimos 13 anos)".

"Desde logo com o governo de José Sócrates, do PS, que retirou o estatuto socioprofissional aos trabalhadores da administração pública. Isto é o quê? Tirou-nos o vínculo de nomeação, tirou as carreiras gerais, todas as profissões que existiam deixaram de existir para se chamarem assistentes operacionais", descreveu.

Para Ana Avoila "estes 13 anos foram um processo de resistência" e que "agora se está em recuperação, mas não está fácil".

Ambos os sindicalistas deixaram ainda um "forte apelo" à mobilização para a "grande manifestação" marcada para 31 de janeiro, em Lisboa.

"O PS podia ter mudado toda esta realidade, não o fez, fez a opção clara de ir para o lado do patronato e do poder económico. Agora resta aos trabalhadores continuarem a luta porque é a luta de massas que vai mudar algo", defendeu a sindicalista.

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

  • Sindicalista
    16 jan, 2020 inter 17:52
    Ana Avoila foi ultrapassada tantas vezes que até irrita. Que venha sangue novo, com táticas novas, para problemas novos. E que faça um entendimento verdadeiro de tudo o que é "frente comum da função pública". O governo pode pensar que domina a situação com uma avalanche de portarias e decretos feitos à pressa, aliados à legislação laboral terrorista que a Troika exigiu e o PS manteve, mas uma greve geral sectorial - hoje pára um sector das tantas às quantas e pelo meio param outros sectores em regime rotativo - sem fim à vista, com um fundo de greve ao jeito dos enfermeiros, contrapondo paralisação "selvagem" e/ou greve de zelo não declarada, à requisição civil ou declaração de "interesse público" que o governo PS logo lançaria mão, e vamos a ver se isto não faz mossa. Claro, não pode ser feito com a atual mesa presidida pela Ana Avoila que só sabe marcar greves de 1 dia encostadas ao fim-de-semana e convocar manifs.