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Dakar

Marcelo e outras reações à morte de Paulo Gonçalves. Tinha "uma garra danada"

12 jan, 2020 - 11:19 • Marta Grosso , Marina Pimentel com agências

Aguarda-se a autópsia para se perceber o que terá conduzido à morte do piloto português. “Paulo Gonçalves morreu a tentar alcançar o sonho”, diz o Presidente da República. “O motociclismo mundial está de luto”, refere a Federação Internacional.

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Paulo Gonçalves recordado como "uma figura icónica que todos conheciam"
Paulo Gonçalves recordado como "uma figura icónica que todos conheciam"

Marcelo Rebelo de Sousa lamenta a morte do motociclista Paulo Gonçalves, que aconteceu neste domingo de manhã, na sequência de um acidente durante a sétima etapa do Rally Dakar.

“Paulo Gonçalves morreu a tentar alcançar o sonho de vencer uma das mais duras e perigosas provas de rally do mundo, na qual foi sempre um digníssimo representante de Portugal, chegando a alcançar o segundo o lugar em 2015”, escreve o Presidente da República.

Num comunicado publicado no site oficial da Presidência, Marcelo “apresenta à família enlutada as mais sentidas condolências”.

Também o primeiro-ministro António Costa reagiu ao acidente, lamentando "profundamente a morte do motociclista Paulo Gonçalves" no Dakar, um "atleta de exceção", que "será lembrado como um exemplo de ética, altruísmo e sã competição".

O Governo também reagiu à morte de Paulo Gonçalves através de um comunicado do ministro da Educação e do secretário de Estado do Desporto. Tiago Brandão Rodrigues e João Paulo Rebelo lamentam a perda de um dos desportistas que fica para a história da modalidade, com a ética e o altruísmo como marcas indeléveis da sua carreira.

Os dois governantes sublinham ainda que o piloto será lembrado como um atleta de exceção e um dos grandes campeões da história do desporto motorizado.

De “speedy Gonçalves” a “touro bravo”. Paulo era “um exemplo”

Vários colegas de Paulo Gonçalves já reagiram à morte do piloto português. O piloto Bernardo Vilar descreve o colega como um “dos pilotos mais ativos e mais profissionais” que conheceu.

“Ultimamente, era conhecido pelo 'speedy Gonçalves', pois era um piloto extremamente rápido, muito forte, fortíssimo – tão forte que este ano tinha uma alcunha nova que era o 'touro bravo'. Era uma pessoa com uma garra danada e nunca baixava os braços”, descreve.

A notícia da sua morte “custa mesmo muito a encaixar”, admite à Renascença. “Ver um colega partir é sempre muito difícil”.

Bernardo Vilar sublinha que o Dakar é uma prova muito exigente. “Não é aquele conto de fadas que as pessoas pensam e que veem na televisão com música de fundo, muito bonita. É uma prova muito violenta mesmo, muito perigosa, onde a cada quilómetro pode acontecer o pior”, garante.

Nas redes sociais, o piloto de Moto GP Miguel Oliveira destaca a “coragem e valentia” do amigo e Félix da Costa, piloto de automóveis em Fórmula E (para carros elétricos), afirma: "Eras, és e serás sempre um Grande!".

Kevin Benavides, vencedor da etapa fatídica, dedicou a vitória a Paulo Gonçalves. Na conta de Instagram, o argentino deixou uma mensagem emocionante.

"Vais continuar a acelerar no céu. Não tenho palavras para explicar a tristeza que sinto. Hoje, quando cheguei ao local do acidente, detive-me e parei ao lado do Toby [Price], já lá estavam os médicos e não me aproximei. Não percebi que eras tu o piloto que estava no chão, a uns dez metros de mim, pensei que era o teu companheiro de equipa, porque, ao sair de trás, perdi a ordem. Disseram-me para continuar. Cheguei ao abastecimento e outros pilotos revelaram que eras tu que estavas caído. Fiquei sem chão e ainda faltavam 70 quilómetros. Chorei cada quilómetro até ao final. Ganhei a etapa e dedico-ta, com muita dor. Ensinaste-me a seguir em frente, a sorrir à vida, tens a minha admiração como piloto e agradeço à vida ter-te posto no meu caminho, e poder partilhar momentos incríveis e inesquecíveis contigo", lê-se na publicação de Benavides.

Também nas redes sociais, Matthias Walkner, o piloto que foi ajudado por Paulo Gonçalves no Dakar 2016, reagiu à morte do português, classificando este momento de “horrível”.

“R.I.P. Campeão!”, começa por escrever no Facebook, lembrando depois momentos que os dois partilharam.

“Ele era um atleta incrivelmente simpático, prestativo e justo, muito apreciado e gostado por todos. Sempre me deu dicas para navegar no início da minha carreira. Também andámos juntos durante as corridas, porque éramos relativamente parecidos no ritmo. É tão trágico, nem sei o que dizer”, afirma.

Do lado institucional, o presidente da Federação Internacional de Motociclismo (FIM) afirma que “o motociclismo mundial que está de luto”.

Depois de apresentar as condolências à família, Jorge Viegas recorda à Renascença que “o Paulo tinha sido campeão do mundo em 2013”.

“Era uma excelente pessoa, um excelente piloto e um grande amigo. Portanto, estamos todos de luto, de facto”, conclui.

Paulo Gonçalves caiu neste domingo de manhã durante a sétima etapa do Dakar. Só a autópsia poderá agora esclarecer se o piloto morreu em consequência da queda ou se teve algum problema de saúde que a originou.

“A verdade é que [o acidente] foi numa reta, portanto não foi por questões de estar a seguir o GPS, foi de facto... não se sabe”, admite o presidente da FIM, sublinhando que “o Paulo era talvez o piloto mais experiente no Dakar”.

“Agora, há uma autópsia e aí já se vai saber se morreu da queda ou antes da queda. É isto e pouco mais. Não se conseguirá perceber muito mais do que isto”, acrescenta.

Jorge Viegas lembra ainda que o Dakar tem uma excelente assistência aos pilotos.

“Soube da notícia logo de manhã pelo diretor do Dakar, que me diz que, mal foi sinalizado por outros concorrentes que ele estava caído, foi de imediato enviado o helicóptero. O Dakar tem uma assistência absolutamente fantástica; é a prova que tem a melhor assistência do mundo”, mas “quando chegaram ao pé dele, ele já estava sem vida. Não havia nada a fazer. Ninguém viu, não se sabe se ele teve algum problema físico e caiu, se não”, afirma.

À RTP3, o piloto de ralis Armindo Araújo recordou Paulo Gonçalves como “um lutador e um piloto de excelência”.

Benfica fala em “um dos mais credenciados pilotos portugueses”

“Foi parceiro do SL Benfica em vários anos e sentia grande orgulho em ostentar a águia no equipamento de motard”, afirma o Benfica num comunicado divulgado no site oficial do clube.

“Era um dos mais credenciados pilotos portugueses de sempre, tendo-se sagrado campeão do mundo Rally Cross em 2015”, sublinha ainda.

“O Sport Lisboa e Benfica endereça sentidas condolências à família e amigos de Paulo Gonçalves neste dia de luto para o desporto motorizado”, termina.

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  • José Pais
    12 jan, 2020 11:48
    Perdemos um grande motociclista. Os meus sentidos pêsames a toda a família enlutada.