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1979-2020

Paulo Gonçalves, o campeão que não deixava ninguém para trás

12 jan, 2020 - 13:01 • Ricardo Vieira

Piloto português morreu este domingo em competição, no deserto saudita. Tinha 40 anos. Numa história de vida repleta de vitórias, destaca-se o momento em que esqueceu a liderança do Dakar para ficar ao lado de um colega ferido no meio do nada.

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O motociclismo corria-lhe nas veias e entrou muito cedo na sua vida. O piloto português Paulo Gonçalves, que morreu neste domingo no Rali Dakar, era um vencedor e um competidor nato, mas também mostrou ao mundo que há valores mais importantes, quando parou para ajudar um colega ferido no meio do deserto.

O episódio aconteceu no Dakar de 2016. Paulo Gonçalves, conhecido como “Speedy”, foi protagonista de um gesto solidário que foi notícia à escala global. O português seguia na liderança quando encontrou o austríaco Mathias Walkner caído a meio de uma etapa.

O piloto natural de Esposende permaneceu a lado do colega de profissão – que tinha partido uma perna – até chegar a equipa médica da prova. Perdeu 11 minutos, mas a organização descontou o tempo por ter sido uma paragem solidária.

Leia aqui a reação de Mathias Walkner à morte de Paulo Gonçalves.


“Nós temos um código de fair-play que é respeitado por todos. Não tenho nenhuma dúvida de que outro colega, se me visse numa situação daquelas, não hesitaria em parar também. Ninguém deixa um amigo para trás em pleno deserto sem ajuda. Fico contente que as pessoas se sintam orgulhosas e se revejam no meu gesto”, afirmou em entrevista ao semanário “Sol”.

O Dakar é duro e cruel. Nessa mesma edição de 2016, disputada na América do Sul, o português acabaria por desistir, depois de ter sido encontrado inconsciente durante a 11.ª etapa, na sequência de uma queda.

Foi recebido como um herói em Portugal. Recuperou e, meses depois, recebeu o Prémio Ética no Desporto do Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), pelo seu gesto solidário.

Paixão precoce pela velocidade e a origem da alcunha

Paulo Gonçalves nasceu em Esposende, a 5 de fevereiro de 1979, e cresceu rodeado de motorizadas. O pai era proprietário de uma oficina e deu-lhe o primeiro “empurrão”.

"Estou ligado às motas desde pequeno. O meu pai tinha uma oficina de motorizadas e levou-me para treinar numa pista. Isso fez com que me tornasse piloto profissional desde os 17 anos", contou ao portal da sua atual equipa, a Hero.

Começou numa prova de Motocross 80cc e o gosto pela velocidade valeu-lhe a alcunha “Speedy”, como o famoso ratinho dos desenhos animados “Speedy Gonzalez”.

Um currículo de peso e o sonho do Dakar

Paulo Gonçalves conta no seu currículo com 23 títulos em motocross, supercross e enduro. Foi campeão do mundo de ralis em 2013 e vice-campeão no ano seguinte.

Nunca conquistou o sonho de ganhar um Rali Dakar, mas esteve muito perto em 2015, quando ficou em segundo lugar. Em 2017, alcançou a sexta posição.

Na mítica prova de todo o terreno, o piloto português venceu um total de três etapas.

Em Portugal, ganhou tudo o que havia para ganhar. Foi campeão nacional de Motocross por 13 vezes, seis títulos de campeão de Supercross, quatro campeonatos de Enduro e um título nacional de todo o terreno.

“Tudo nas corridas é interessante e excitante. A aventura, a descoberta, territórios desconhecidos, a navegação, e tudo isto em contrarrelógio", disse a certa altura Paulo Gonçalves, um lutador que morreu este domingo, aos 40 anos, a fazer aquilo de que mais gostava.

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