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Mirandela presta homenagem a estudante cabo-verdiano que morreu em Bragança

10 jan, 2020 - 18:05 • Olímpia Mairos

Estudantes, professores e autarquia de Mirandela reclamam justiça para o estudante que morreu em Bragança, depois de alegadamente ter sido agredido na noite de passagem de ano.

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Um minuto de silêncio. Palmas. Uma coroa de flores e 21 rosas brancas correspondentes à idade do estudante cabo-verdiano, lançadas ao rio Tua, em Mirandela, marcaram a homenagem ao jovem Giovani Rodrigues que morreu no dia da passagem de ano, em Bragança, vítima de várias agressões.

Nas palavras que dirigiu aos estudantes, Luís Pires, o diretor da Escola Superior de Comunicação, Administração e Turismo (ESAcT) de Mirandela, manifestou o seu pesar pela morte trágica do estudante e apelou ao empenho de todos no desenvolvimento da “cidade multicultural” que o Instituto Politécnico de Bragança tem vindo a construir ao longo dos anos.

“Construímos uma cidade com muita tolerância, onde conseguimos, também, congregar os valores da amizade, da partilha, em termos de instituição passamos conhecimentos científicos. Passamos tudo isso. Mas, o mais importante, é que os alunos que vão passando por cá, alguns vão ficando, outros vão embora, mas vão passando a mensagem”.

“E cada vez mais os alunos querem vir para Bragança e para Mirandela. E isto só significa que nós estamos com um caminho, com um rumo adequado”, disse.

Referindo-se à morte do estudante Cabo-verdiano como um “infortúnio trágico, do mais grave que pode acontecer”, o diretor da ESAcT afirmou que tal acontecimento “não pode desviar deste caminho”.

“Temos que manter este rumo, aprender com este acontecimento”, pediu Luís Pires, realçando que “Bragança, Mirandela, o Politécnico tem sido um exemplo em todo o mundo, daquilo que é a capacidade de construir uma sociedade de tolerância, onde se pode andar confortavelmente e onde se vive bem”.

“Somos uma comunidade estudantil. Nas comunidades estudantis aprende-se, ensina-se. E esta partida do Giovani, deste seu sonho interrompido, não pode ser em vão. Temos que aprender, também. Temos que tirar ensinamentos. E que têm que nos fazer trilhar e melhorar aquilo que será o nosso futuro”, conclui o diretor da ESAcT.

Visivelmente triste e consternado, o presidente da Associação de Estudantes Africanos do IPB, Wanderley Antunes, apelou “à justiça, a quem de direito, às autoridades policiais e não só” e “que se faça justiça, porque situações como esta não podem voltar a acontecer”.

“Quem o fez tem que pagar pelo que fez. E é isso que nós esperamos, que as autoridades façam o seu trabalho”, defendeu o estudante.

Wanderley Antunes afasta a hipótese de a agressão ao jovem Giovani Rodrigues por questões raciais.

“Nós, atualmente no IPB somos 2. 300 alunos africanos e, para chegarmos a este número, é sinal que tudo tem estado a correr muito bem”, afirma Wanderley Antunes, garantido que os estudantes africanos são “muito bem acolhidos pela cidade”.

“No IPB não existe nem nunca existirá racismo, tanto que existem cerca de 70 nacionalidades e todas elas convivem, há muito tempo, em harmonia. E são estes valores que nós gostamos e passamos sempre para os que cá vivem e para os que chegam para estudar. Acredito que isto foi mesmo um caso isolado e esperamos que não volte a acontecer”, afirma o estudante, natural de S. Tomé e Príncipe.

A autarquia de Mirandela, cidade onde Giovani frequentava o curso de Design de Jogos Digitais, juntou-se à homenagem através do vice-presidente da autarquia, José Miguel Cunha, que transmitiu às dezenas de alunos e professores presentes na homenagem “uma palavra de alento e de força”.

Giovani Rodrigues era cabo-verdiano, estudava no campus de Mirandela, mas vivia em Bragança com dois amigos, também cabo-verdianos. Morreu a 31 de dezembro, no Hospital de Santo António, no Porto, depois de ter sido encontrado dez dias antes, caído na rua, depois de uma cena de pancadaria, que começou num bar.

Para este sábado estão marcadas várias marchas de homenagem ao estudante cabo-verdiano, uma das quais marcada para Bragança e à qual se associa o Instituto Politécnico local e o bispo da Diocese de Bragança-Miranda.

A marcha de homenagem sairá pelas 15 horas do campus do politécnico, com trajeto pela Praça da Sé até à Catedral, onde será celebrada missa pelo bispo de Bragança-Miranda, D. José Cordeiro.

Lisboa, Porto e Coimbra são outras capitais de distrito para as quais estão programadas marchas e vigílias de homenagem a Luís Giovani Rodrigues.

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