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Caiado Guerreiro. “As touradas têm mais de dois mil anos. Não se destrói assim a cultura”

07 jan, 2020 - 18:15 • Paula Caeiro Varela com Redação

O advogado foi um dos oradores convidados nas jornadas parlamentares do PSD, onde criticou algumas das propostas fiscais previstas no Orçamento do Estado para 2020.

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Tiago Caiado Guerreiro, advogado e especialista em Direito Fiscal, discursou nas jornadas parlamentares dos sociais-democratas e foi o primeiro a receber aplausos ao criticar a medida do Orçamento do Estado para 2020 que prevê o aumento do IVA para as corridas de touros para 23%.

“As corridas de touros são algo com mais de dois mil anos e que está representado na nossa história. Como é que se pode acabar ou através desta medida perseguir as touradas? Podemos não gostar delas, mas não se destrói assim a cultura. Não há direito” afirmou o fiscalista.

Caiado Guerreiro falou ainda de outras propostas do Orçamento do Estado, que será votado esta sexta-feira, em plenário, nomeadamente, o agravamento fiscal para os pequenos proprietários.

O advogado explicou que o alojamento local trouxe valor a propriedades que, de outra maneira, não o teriam e que este aumento nos impostos pode dificultar o pagamento dos empréstimos contraídos pelos proprietários para investir nas casas.

“O alojamento local tinha dado valor a ativos que não valiam nada, porque na maior parte das zonas históricas, aquilo não tem condições nenhumas de vida. Por isso é que muitas delas estavam abandonadas.”

“Os turistas é que gostam de ir para aquele tipo de zonas onde não têm estacionamento e têm de subir por escadas extraordinariamente íngremes para chegar a algum sítio e acham tudo aquilo ‘very typical’ como eu também acho quando faço uma viagem para outro país. Mas esses ativos não valiam muito. E são muitos destes que estão a ser utilizados para alojamento local. Se nós criamos uma desvalorização disso, e muito disso é feito com recurso a financiamento bancário, vai entrar secalhar em ‘default’.”

As jornadas parlamentares do PSD decorreram durante esta terça-feira e contaram com a presença de Manuela Ferreira Leite, Joaquim Miranda Sarmento, João Duque, Tiago Caiado Guerreiro. Em análise esteve a proposta de lei que aprova o Orçamento do Estado para 2020 que será votada na próxima sexta-feira, dia 10 de janeiro.

Comentários
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  • Rui, Guerrinha
    19 jan, 2020 Sines 09:47
    Não sou apreciador de touradas, mas quem vai criar touros e cavalos para toureio de não existir razão para tal??? Será que não se vai provocar a sua extinção??? Não se criam touros só para pastar, posso estar equivocado mas não servem para mais nada. Tem de se pensar noutra forma de aplicar os ferros, o velcro pode ser a solução. Não sei se temos o direito de acabar com uma indústria da qual dependem tantas pessoas, só porque não gostamos, empreguem as energias em coisas mais importantes para a sociedade. Ex: poluição, fome, emprego ...isto é trabalho, porque empregos só na política, os nossos governantes têm a mania de tudo querer mudar para tudo ficar na mesma ou pior.
  • Ana V.V.Mendes Gouve
    12 jan, 2020 Funchal 10:35
    Este fulano é a ignorância personificada, saberá ele que D.Maria II aboliu as touradas, e saberá o ignorante os termos justificativos? As touradas não têm voz dois mil anos, mas o apedrejamento de mulheres adúlteras tem, e é praticado na Arábia Saudita. Por ser tradição, é logo uma coisa boa, a manter e a fomentar? Oh senhor advogado, você calado é um senhor!
  • Carlos
    11 jan, 2020 Viana do Castelo 19:20
    E depois queixam-se que o PSD está a perder eleitores. (ainda bem)
  • João
    09 jan, 2020 Lisboa 01:10
    As lutas de gladiadores têm mais de três mil. Acho ridículo terem sido proibidas!
  • Isabel Santos
    08 jan, 2020 senhora da hora 12:22
    O senhor advogado especialista em direito fiscal demonstra que não é especialista em ética, sofrimento animal e evolução! Antes de mais, as touradas poderiam até existir há dois mil anos ou há dois milhões e isso é absolutamente irrelevante pois não é a antiguidade de seja o que for que lhe confere valor! Pode ser um costume-bárbaro por sinal-que não faz qualquer sentido à luz dos conhecimentos e valores actuais.Ou seja,um costume que não passa no crivo da evolução humana, como é o caso, pelo facto de sofrimento excruciante ser infligido a um bovino antes, durante e após a tourada, deve ser abolido e disso há inúmeros exemplos (as lutas de cães e de galos, atirar gatos do alto dos campanários e tantos outros que incluem animais humanos e não humanos). Além de que a tauromaquia apenas subsiste à custa de financiamentos seja da UE, estado ou autarquias, ou seja são mais de 10 milhões de euros do erário público anualmente para a tortura de bovinos! “(…) Em Portugal no fim da lide, inicia-se o maior processo de selvajaria que se possa imaginar. Sim, porque não é o Dr. Joaquim Grave que está nos curros ou em cima das camionetas a arrancar bandarilhas, escarafunchar feridas, injectar desinfectantes com seringas e borras de clister, puxar daqui e dali. São normalmente pessoas sem preparação e impiedosas que acham imensa graça aos urros de dor dos animais. Digo-te com conhecimento de causa..."J.A. Ramos - ex presidente CM Azambuja
  • Isabel A. Ferreira
    08 jan, 2020 Póvoa de Varzim 11:58
    Qual "cultura" ? Está a falar de qual "cultura"' a CULTA ou a INCULTA? Sim, porque as touradas pertencem ao rol das "culturas incultas", que à medida que a civilização avança, vão sendo abandonadas. Portugal ainda não abandonou esta "cultura medievalesca" porque ainda existem alguns trogloditas na governação, o que só traz desprestígio para Portugal. Tenham vergonha na cara. Respeitem a CULTURA CULTA. Torturar Touros numa arena jamais fez parte da Cultura portuguesa.
  • Henrique Oliveira
    08 jan, 2020 Linda-a-Velha 09:20
    «É exactamente esse pensamento, que faz ainda existir em alguns paises/culturas, a mutilação genital das crianças do sexo feminino, a lapidação, as lutas de cães, de galos, etc, etc, etc. Importa frisar que algumas dessas culturas têm muito mais de 2.000 anos. #ViolênciaNãoÉCultura.»