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China

Pastor evangélico chinês condenado a nove anos de cadeia

30 dez, 2019 - 13:18 • Filipe d'Avillez com Reuters

Wang Yi foi condenado num processo em segredo por incitar à subversão do poder estatal.

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Um pastor evangélico chinês foi condenado esta segunda-feira a nove anos de cadeia por alegadamente incitar à subversão do poder estatal.

Wang Yi é pastor da Igreja Aliança da Chuva de Outono na cidade de Chengdu e foi detido em dezembro de 2018 juntamente com dezenas de outros membros da igreja. A maioria dos outros cristãos foi libertada, mas Yi permaneceu atrás das grades.

A sentença é mais um sinal do aumento da perseguição aos cristãos na China desde que Xi Jinping assumiu as rédeas do Governo, há seis anos. O Estado tem apertado o cerco a comunidades religiosas protestantes e católicas que não reconhecem a supremacia do Governo. Outras religiões também têm sido afetadas, incluindo budistas e muçulmanos.

Numa primeira reação a Amnistia Internacional criticou a condenação de Yi. “O verdito de hoje expõe ao ridículo a suposta liberdade religiosa na China. Want Yi estava apenas a praticar a sua religião e a defender, de forma pacífica, os direitos humanos na China. Esta sentença de nove anos é revoltante e injusta”, disse Patrick Poon, especialista da Amnistia sobre assuntos relacionados com a China, através de comunicado.

Enquanto a maioria dos líderes cristãos na China procuram não dar nas vistas, Wang Yi era conhecido por criticar abertamente o sistema político chinês e o próprio Xi Jinping. Numa altura em que o Estado procura garantir que os ensinamentos nas igrejas não ponham em causa a autoridade do Governo, Yi disse publicamente que a ideologia do Partido Comunista é incompatível com o Cristianismo e terá afirmado ainda que “O Partido Comunista pode matar o meu corpo, mas não me pode matar a alma”.

A sentença de Wang Yi foi dada a conhecer através de um curto comunicado no site do tribunal de Chengdu, onde se lê que foi condenado por operar ilegalmente um negócio. Para além da sentença de nove anos viu ainda serem-lhe retirados os direitos políticos por três anos e confiscada propriedade pessoal no valor 50 mil yuan, cerca de 6,400 euros.

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