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A história da família portuguesa que vive nas ruas de Paris

16 dez, 2019 - 16:07 • Redação

O jornal "Le Parisien" contou a história de uma mãe e dos seus dois filhos que vivem sem eletricidade, nem aquecimento, na apelidada "cidade da luz", onde o termómetro marca muitas vezes graus negativos.

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O jornal “Le Parisien” deu a conhecer a história de uma família monoparental portuguesa que vive em situação de sem-abrigo, na cidade de Paris, através de uma reportagem sobre a vida quotidiana desta mãe e dos dois filhos menores, de 13 e 8 anos.

O título “De dia na escola, à noite na rua” espelha bem a vida destas crianças que são as primeiras a chegar à escola e as últimas a sair e que, neste momento, vivem num abrigo devoluto, ocupado à revelia, sem luz, nem aquecimento.

“Amália”, nome fictício dado pela jornalista Maïram Guissé para proteger a identidade da família, emigrou com os dois filhos para França, com o sonho de conseguir uma vida melhor.

Mas a realidade da capital francesa, onde mais de 140 mil pessoas vivem em situação de sem-abrigo, 30 mil destas crianças menores, trocou-lhe as voltas e fez desta família mais um número para as lamentáveis estatísticas.

Apesar do presidente francês, Emmanuel Macron, aquando da sua eleição, ter apresentado como prioridade a garantia de uma habitação condigna para todas as pessoas “até ao fim de 2017”, no ano que se seguiu, 566 pessoas em situação de sem-abrigo morreram na rua e, em 2019, já se registaram 718.657 pedidos de habitação social, o que segundo a associação “Direito ao Alojamento”, é um número recorde.

Segundo explica esta mãe, “Amália” não consegue arranjar um emprego estável que lhe permita pagar a renda de uma casa e apesar de já ter procurado abrigo em pensões sociais, não há lugar para esta família.

O “115”, um número de urgência para acudir pessoas em situação de sem-abrigo, não lhe tem valido, o que alguns franceses justificam com o sobrecarregamento do serviço e a falta de meios para cumprir a sua missão original.

Os jornalistas acompanharam estes dois menores portugueses durante um dia de outono e registaram a dura realidade de quem, mesmo sem condições, quer continuar a lutar. A imagem – que vale mais que mil palavras – foi colocada no “Twitter” pelo jornal parisiense e mostra uma das crianças a fazer os trabalhos de casa, no chão do cais de uma estação da rede de comboios regionais da Île-de-France.

Amália conseguiu inscrever os filhos na escola com a morada de um estúdio onde chegou a dar aulas de dança e explica que os filhos são os primeiros a chegar e só voltam para “casa” de noite, para garantir que ninguém descobre onde vivem. "Não quero dizer onde vivo exatamente, não quero que nos encontrem e que o proprietário nos ponha na rua, como já aconteceu",

Atualmente, esta portuguesa vende desenhos de paisagens para sobreviver, mas é manifestamente insuficiente, sobretudo na região de Paris, onde os aumentos nas rendas foram de 70% em 20 anos. A única solução seria a habitação social, que este ano já soma perto de 720 mil pedidos no país, dois terços destes na zona da capital.

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