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Perigo de radicalização. Maior risco para jovens está na internet

06 dez, 2019 - 09:40 • Celso Paiva Sol com redação

Especialistas dizem que Portugal continua a ter uma realidade muito diferente de outros países europeus, mas não está imune.

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O autoproclamado Estado Islâmico terá deixado de recrutar ocidentais para territórios que já não controla, mas continua a tentar aliciar e radicalizar jovens de todo o mundo. O maior risco continua a estar na Internet, mas as autoridades também estão atentas ao regresso daqueles que chegaram a combater nas fileiras do grupo terrorista.

No programa da Renascença Em Nome da Lei, esta semana dedicado ao perigo da radicalização, João Ventura, da Unidade de Combate ao Terrorismo da Polícia Judiciária, lembrou o impacto da Internet. “Sem ela nunca o Estado Islâmico teria alcançado a expressão e a mobilização que conseguiu. Mais de 40 mil extremistas, de 110 países, viajaram para o califado.”

“Há muita coisa que circula através das redes sociais. Mas não existe o risco ‘zero’, apesar de Portugal ser um país absolutamente periférico em relação a esta realidade, por enquanto”, sublinha.

Está em curso em Portugal um projeto de prevenção da radicalização. Paulo Gomes, responsável pela comunicação da campanha RESET, explica que trabalho de contra-narrativa está a ser feito na internet. “Tentamos contrariar e utilizar o conhecimento como elementos desmobilizadores: dizer que as interpretações que são feitas – com vista ao recrutamento - não são as corretas.”

Para João Cardoso, técnico da Câmara de Sintra, que trabalha com migrantes há 10 anos é possível contrariar o discurso extremista. “Em alguns dos jovens há essa vertente de não se identificarem com um território e um modo de vida. Acresce a dificuldade em estudar e em encontrar um emprego. Mas são precisamente estes projetos que tentam trabalhar esses jovens, mostrando-lhes que há outros caminhos.”

João Ventura, da Unidade de Combate ao Terrorismo da PJ, garantiu que as autoridades estão atentas ao regresso de ex-combatentes jihadistas e avança números. “Há cerca de cinco mil combatentes em campos sob jurisdição das forças democráticas sírias”. A este número acrescem “dezenas de milhares de mulheres e crianças que estão em, pelo menos, três campos principais na região e será impossível para essa organização, por força da ofensiva das autoridades turcas, manter essa situação por muito mais tempo”.

Portugal continua a ter uma realidade muito diferente de outros países europeus, mas não está imune. “Um dos riscos é que cada um destes indivíduos tem potencial para fazer o que chamamos de disseminação das sementes da radicalização, nomeadamente em meio prisional”, explica o coordenador da PJ, acrescento que nesse aspeto, o país está “relativamente salvaguardado, porque tem um único preso nas prisões portuguesas condenado por crimes de terrorismo”.

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