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Marcelo apela a instituições que acolham sem-abrigo

05 dez, 2019 - 22:26 • Lusa

Presidente esteve em Matosinhos, onde o clube mais representativo, o Leixões, integrou dois sem-abrigo. Pouco antes, numa reunião no Porto, disse haver "questões novas que merecem respostas novas".

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O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, disse esta quinta-feira que se outras instituições seguissem o exemplo do Leixões SC, que integrou dois sem-abrigo, abria-se caminho à resolução de muitos problemas.

O chefe de Estado esteve no Estádio do Mar, casa do Leixões Sport Clube, que recentemente acolheu dois sem-abrigo.

"Se, já não digo grandes clubes, mas instituições com outro poder e outra dimensão pudessem seguir estes exemplos abririam caminho à resolução de problemas de vida de muita gente. Fica aqui agradecido a quem teve a ideia e sobretudo agradecido a eles. Os heróis são eles que realmente deram a volta à vida", afirmou, em declarações aos jornalistas.

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Carlos Daniel e Joaquim Melo trabalham agora para o Leixões e um deles vive até nas instalações onde o clube coloca alguns jogadores das camadas jovens.

Para Marcelo Rebelo de Sousa, Carlos e Joaquim são os heróis desta história que, frisou, pode ser repetida se outras instituições "que têm outras hipóteses e outras possibilidades" tivessem este gesto.

"O que é que custará abrir caminho a uma, duas, três pessoas, quatro pessoas, quando se trata de outras instituições com mais poder", questionou.

"Temos aqui dois heróis, o Joaquim e o Carlos, que deram a volta por cima à vida. Tiveram aqui amigos. O presidente do clube compreendeu que quem mais tem, mais tem de dar. E cá temos os dois a colaborarem, os dois entusiasmados. Um deles a pintar as cadeiras do estádio, onde estive sentado, e outro continua a estudar à noite", acrescentou.

Reunião "muitíssimo útil" com ministra do Trabalho e vereador da Coesão Social do Porto

O Presidente da República afirmou que "quem trabalha com as pessoas de carne e osso" apresenta "questões novas que merecem respostas novas", depois de reunir com instituições ligadas ao apoio aos sem-abrigo, no Porto.

"Estas reuniões são muito ricas porque quem trabalha com as pessoas de carne e osso oferece uma riqueza de pontos de vista e levanta questões novas que merecem respostas novas. E esse é o passo qualitativo importante que queremos dar neste final de 2019, apontando para 2020 e depois para o que virá a ser a estratégia no horizonte 2021, 2022 e 2023", disse Marcelo Rebelo de Sousa.

O Presidente da República falava aos jornalistas depois de uma reunião que decorreu à porta fechada com dezenas de entidades e instituições locais sobre a implementação local da Estratégia Nacional para a Integração de Pessoas em Situação de Sem-Abrigo (ENIPSSA).

Nesta sessão participaram também a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, e o vereador da Coesão Social da Câmara Municipal do Porto, Fernando Paulo.

Marcelo Rebelo de Sousa apontou que esta reunião, que durou cerca de duas horas e meia, foi "muitíssimo útil" porque "permitiu dar um passo muito importante no sentido de reforçar a solidariedade de todos os que estão na causa comum, mas também abrir novas pistas de solução".

O chefe de Estado, que ainda esta noite vai acompanhar, no terreno, os projetos do Centro de Apoio ao Sem-Abrigo (C.A.S.A.) e dos Serviços de Assistência Organizações de Maria (SAOM), falou da "importância" de fazer reuniões deste género em todo o território nacional para, disse, "ouvir as experiências, as propostas, as sugestões e as questões críticas que se colocam".

"Porque estas instituições estão juntas nesta causa comum e conhecem o Porto município, mas também o Porto metropolitano. Seja a Câmara Municipal do Porto, a Santa Casa Misericórdia, os albergues ou as Instituições Particulares de Solidariedade Social, todos têm uma experiência notável no dia a dia e o objetivo de enfrentar, em conjunto, a questão dos sem-abrigo", acrescentou.

O governante falou de medidas como a "criação de uma plataforma informativa mais completa, mais rápida, menos burocrática" para ligar as várias instituições da administração central, poder local e sociedade civil e destacou a necessidade de discutir as "situações de alojamento de emergência", ou seja, especificou, "de mais curta duração e com contornos e regras diferentes das do alojamento temporário".

"E naturalmente, falamos de habitação, da aposta municipal, da aposta da Santa Casa da Misericórdia e da administração central, de uma aposta global. A senhora ministra tomou boa nota de questões, umas mais específicas e outras mais genéricas. Há questões de resposta mais fácil no curto prazo e outras a envolver ações no quadro da estratégia que está em vigor", concluiu.

Em 18 de novembro, Marcelo Rebelo de Sousa e Ana Mendes Godinho tinham participado numa reunião idêntica na qual foi feito um ponto de situação do Plano de Ação 2019-2020 da Estratégia Nacional para a Integração de Pessoas em Situação de Sem-Abrigo 2017-2023.

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