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Maçonaria, "subalternização ao PS" e "hipocrisia". Foi assim o debate entre candidatos a líder do PSD

04 dez, 2019 - 22:21

Luís Montenegro e Miguel Pinto Luz considera que o atual líder social-democrata tornou o partido no "PS número dois" [em atualização]

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"Subalternização ao PS", "guerrilha interna", "golpe de Estado", currículos eleitorais, acusações de "hipocrisia" e até a Maçonaria marcaram o debate desta quarta-feira, na RTP, entre os três candidatos à liderança do PSD: Rui Rio, Luís Montenegro e Miguel Pinto Luz.

Luís Montenegro e Miguel Pinto Luz acusam o atual líder, Rui Rio, de ter subalternizado o PSD em relação ao Partido Socialista.

No debate para as eleições internas de 11 de janeiro, o ex-líder parlamentar Luís Montenegro acusou mesmo Rui Rio de ter feito do partido um “PS número dois”.

“Havia eleitorado disponível para confiar na alternativa política do PSD, mas não encontraram essa alternativa no PSD. Os resultados [das legislativas] foram maus. A estratégia dos últimos anos levou o partido a ser um PS número dois. As coisas correram mal. A desculpa esfarrapada da guerrilha interna não colhe. Se não houve a unidade necessário no PSD isso deveu-se muito a Rui Rio”, lamentou.

Rui Rio acusou Luís Montenegro de "hipocrisia" e de em janeiro ter lançado um “golpe de Estado” à actual direção social-democrata.

Miguel Pinto Luz desafia o líder do PSD a "explicar o que vai alterar na sua receita, que até agora foi errada", uma estratégia de "subalternização ao PS e contra tudo e contra todos".

"Poupe-nos dessa lengalenga com mais de 20 anos, a queixar-se que o mundo está contra ele. Rui Rio é contra a Opus Dei, a comunicação social, a maçonaria, Ministério Público, contra os militantes do partido. Deu a iniciativa política ao PS. Correu mal das duas vezes que optou por se aproximar do PS", atirou o vice-presidente da Câmara de Cascais.

"Pensava que isto ia ter um nível mais elevado"

Rui Rio partiu para o contra-ataque, recordando as várias derrotas eleitorais sofridas pelos seus dois adversários. "Estes dois senhores têm resultados eleitorais brilhantes. Montenegro concorreu duas vezes à Câmara de Espinho e perdeu, à distrital de Aveiro e não ganhou. Agora diz que vai ganhar legislativas, autárquicas e a Câmara de Lisboa.”

Luís Montenegro respondeu que Rio ganhou a Câmara do Porto, mas foi derrotado nas últimas legislativas e europeias e "perdeu copiosamente".

O líder do PSD ripostou: "é uma hipocrisia completa. Acham que é igual estar dois anos sossegados ou estar dois anos em guerrilha permanente..." Questionado sobre quais os seus esforços para pacificar o partido, Rui Rio disse que tentou não ouvir as críticas permanentes da oposição interna, que tentou contribuir para o "pior resultado possível".

Sobre a acusação de "subalternização ao PS, Rui Rio diz que não pergunta a ninguém como votar ou se faz oposição. "Que coisa mais disparatada. Pensava que isto ia ter um nível mais elevado…", declarou.

“Admito viabilizar um Orçamento que seja bom para os portugueses"

Depois foi a vez da posição sobre o próximo Orçamento do Estado. Luís Montenegro afirma que não é possível viabilizar o documento do Governo socialista, tendo em conta o programa que foi aprovado.

Já Rui Rio defende que quer ver o Orçamento do Governo de António Costa e depois logo vê o sentido de voto. “Devemos ser oposição construtiva, criticar, denunciar e apresentar alternativa. E também de concordar, porque para concordar é preciso ter grandeza. Isso é que é oposição construtiva.”

O mesmo defende Miguel Pinto Luz. “Admito viabilizar um Orçamento que seja bom para os portugueses, ser uma oposição de confiança. Temos que ter a nossa agenda reformista, perceber se o partido do Governo consegue apresentar um Orçamento bom para os portugueses. Não acredito que Costa faça isso. Quero ver o Orçamento antes de dizer que voto contra.”

"Os meus adversários são conhecidos como sendo da Maçonaria”

A marcar o debate também a discussão sobre quem é que faz parte da Maçonaria ou não, tendo em conta as acusações que Rui Rio tem feito a interesses obscuros que supostamente querem tomar conta do PSD.

"Critiquei grupos organizados, não me candidato para evitar isso. Eu já disse que me referia à Maçonaria. Os meus adversários são conhecidos como sendo da Maçonaria”, afirmou Rui Rio.

Luís Montenegro garante que nunca fez parte daquela organização. “Isto é a política que não vale a pena, atingindo o próprio partido. Não pertenço nem pertenci a Maçonaria. Rio faz lembrar um náufrago agarrado a uma bóia furada, não tem argumentos políticos. Faz julgamentos com base em notícias de jornal. Leia o texto: foi um jantar em que participei”.

Miguel Pinto Luz assumiu que fez parte da Maçonaria, mas que está adormecido vai para 10 anos, desde que ocupa cargos públicos. "Acredita na minha palavra ou continuar a desconfiar de tudo e de todos", disse o candidato.

Comentários
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  • Petervlg
    06 dez, 2019 Trofa 08:58
    Discutam dentro do Partido, se analisarem o que se passou ontem é vergonhoso Rui Rio o único candidato a altura do partido, o resto apenas querem chincalhar o PSD
  • ze
    05 dez, 2019 aldeia 08:34
    O que se tornou o partido de Sá Carneiro!...................