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Reciclar mais para pagar menos. Projeto-piloto arranca em 2020

04 dez, 2019 - 06:57 • Rosário Silva

Este projeto de recolha porta-a-porta vai permitir que os munícipes abrangidos pelo novo sistema, possam pagar apenas os resíduos que efetivamente produzem, pagando menos se reciclarem mais.

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De porta-a-porta, a partir de 1 de janeiro do próximo ano, Ourique coloca no terreno um novo sistema de recolha de lixo. Trata-se de um projeto-piloto implementado pela câmara municipal em parceria com a RESIALENTEJO, a empresa intermunicipal de tratamento e valorização de resíduos.

“Pretendemos que os munícipes criem hábitos e contribuam para a reciclagem e, cada vez mais, possam diminuir aquilo que são resíduos indiferenciados”, refere à Renascença, o presidente do município alentejano, Marcelo Guerreiro.

Este projeto de recolha porta-a-porta vai permitir que os munícipes abrangidos pelo novo sistema, possam pagar apenas os resíduos que efetivamente produzem, pagando menos se reciclarem mais.

“Na prática, o objetivo é premiar os que reciclam e nesta recolha porta-a-porta, vamos apenas cobrar 21 cêntimos por cada saco de 30 litros, de resíduos indiferenciados, isentando os munícipes da cobrança daquilo que são os materiais reciclados, como o papel, o plástico ou o vidro”, explica o autarca.

Por ser um projeto-piloto, na fase de arranque, somente 30% da população da sede de concelho, é abrangida.

“As áreas piloto já estão definidas, mas pretendemos avaliar continuamente o projeto para, assim que possível, tentar alargá-lo ao concelho, sendo determinante a atitude de cada um, face ao meio ambiente, no combate às alterações climáticas”, adianta Marcelo Guerreiro.

Atualmente os munícipes pagam uma taxa de resíduos que é calculada em função do consumo de água. Este novo sistema, denominado PAYT (Pay-as-You-Throw), restitui o conceito de justiça, com as pessoas a pagarem apenas os sacos destinados aos resíduos indiferenciados (lixo).

“Queremos que os munícipes adotem comportamentos amigos do ambiente”, sublinha o presidente desta autarquia que investe na recolha seletiva de resíduos “numa lógica de que assim vamos reduzir outros custos, como o problema do tratamento do lixo comum”.

A cerca de um mês de arrancar, em Ourique, está em curso uma campanha de sensibilização para explicar à população a forma como tudo vai funcionar. “É um desafio”, admite o autarca, uma vez que se pretende “alterar hábitos muito antigos, pois as pessoas estão habituadas a entregar os sacos no contentor.”

O Relatório Anual de Resíduos Urbanos referente a 2018, da Agência Portuguesa do Ambiente, indica que foram produzidas, em Portugal, 5,213 milhões de toneladas de resíduos urbanos, mais 4% do que o registado em 2017. Face a esta realidade preocupante, Ourique dá o exemplo avançando com este projeto, depois de ter procurado conhecer a experiência de outras cidades quer portuguesas, quer europeias.

“É um novo desafio, queremos mudar o paradigma da recolha dos resíduos, incentivar à reutilização e reciclagem, por isso agarramos com muito entusiasmo esta iniciativa que desejamos seja de sucesso em beneficio do nosso concelho e do ambiente, em geral”, acrescenta, Marcelo Guerreiro.

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