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Sandra Felgueiras afirma que "era possível" programa sobre o lítio ter passado na data prevista

03 dez, 2019 - 16:56 • Redação com Lusa

A jornalista da RTP, coordenadora do programa de investigação "Sexta às 9", esteve a ser ouvida na Assembleia da República a propósito do polémico adiamento da transmissão de uma reportagem sobre suspeitas de corrupção na exploração de lítio.

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Sandra Felgueiras, jornalista da RTP, disse esta terça-feira, numa audição na Assembleia da República, que "era possível" ter emitido o programa "Sexta às 9", sobre a exploração de lítio, no dia 13 de setembro, durante a campanha eleitoral, como previsto.

A reportagem, que acabou por ser transmitida apenas no dia 18 de outubro, já depois das eleições legislativas, expõe uma investigação do Ministério Público sobre alegadas suspeitas de corrupção no Governo, no âmbito do negócio do lítio.

"Se me perguntam diretamente se era possível fazer o programa 'Sexta às 9' durante o mês de setembro, a minha resposta é 'sim, era possível com o lítio'", afirmou Sandra Felgueiras.

A jornalista acrescentou que "nunca" na sua vida, "em oito anos de coordenação" do "Sexta às 9", o programa teve "uma suspensão durante um ato eleitoral".

Sandra Felgueiras referiu que na Direção de Informação da RTP comunica com Maria Flor Pedroso (diretora) e Cândida Pinto (diretora-adjunta), e que é à diretora-adjunta a quem reporta semanalmente "tudo" o que faz e o que tem "em linha de vista".

"Eu comuniquei naturalmente à Cândida Pinto em julho que este [o lítio] seria o tema de andamento e de prossecução. Objetivamente, a reportagem que iria ser emitida dia 13 de setembro era a reportagem do lítio, era isto que estava previsto", acrescentou a jornalista da RTP em audição no parlamento.

A jornalista explicou que "não foi assim porque dia 23 de agosto" houve uma "reunião presencial com Cândida Pinto e Maria Flor Pedroso" onde foi comunicado que o programa voltaria dia 11 de outubro.

"Foi-me dito que iria haver ajustes em função da campanha eleitoral. O que eu reparo e que vejo é que de facto os ajustes que houve foi apenas no dia seis [de setembro]. No dia 13 não houve nada, no dia 28 houve um programa 'Eu, cidadão', curiosamente feito por Cândida Pinto, dia 26 não houve nenhum especial sobre Tancos (...)", prosseguiu a jornalista, acrescentando ainda que, no dia previsto, não houve nada de novo na programação, "apenas a passagem do programa 'Joker' para as nove da noite".

Sandra Felgueiras começou a sua intervenção clarificando que representa uma equipa "de quatro pessoas" qua fazem jornalismo de investigação, "sendo que uma delas é precária".

"Eu estou mandatada por todas essas pessoas que me acompanham a dar as respostas que vos irei dar, mas peço que os senhores deputados compreendam que tudo aquilo que eu vou dizer hoje poderá ter repercussões profissionais não só na minha vida como na vida destas pessoas", alertou.

Em 30 de outubro, a RTP-TV veio esclarecer a situação, afirmando que a reportagem sobre o lítio só ficou pronta "horas antes" da sua divulgação, rejeitando a utilização deste caso como "arma de arremesso político-partidário".

"A Direção de Informação da RTP-TV jamais tolerará ser utilizada como arma de arremesso político-partidário seja por quem for", sublinha-se na nota assinada pela diretora de informação, Maria Flor Pedroso, e por todos os elementos da sua equipa.

A nota acrescenta que "a informação da RTP não guarda notícias na gaveta em caso algum".

Contrariando o afirmado esta terça-feira pela jornalista Sandra Felgueiras, a então direção de informação da RTP referiu que "a investigação, evocada pelo líder do PSD na discussão do Programa de Governo, não estava concluída durante a campanha eleitoral”.

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