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PISA 2018. "Esta geração foi a mais afetada pela crise", diz ministro da Educação

03 dez, 2019 - 11:44 • Marta Grosso com redação

Tiago Brandão Rodrigues rejeita responsabilidades nos resultados do exame da OCDE aos conhecimentos dos estudantes de 15 anos. O seu antecessor, Nuno Crato, diz que tudo mudou em 2015, surgindo a preocupação "de tentar que todos tivessem sucesso sem avaliação”.

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A crise económica e consequentes mudanças curriculares estão na origem dos maus resultados dos alunos portugueses nos últimos três anos. Quem o diz é o ministro da Educação, em linha com as conclusões da própria OCDE.

“A geração que realizou esta prova em 2018 iniciou o percurso no primeiro ciclo, como disse, em 2018/2019. Foi, portanto, a mais afetada pela crise económica e por algumas mudanças bruscas no campo educativo”, começa por justificar Tiago Brandão Rodrigues na apresentação do relatório PISA, esta terça-feira de manhã.

“A revogação do currículo do ensino básico e de vários programas de desenvolvimento educativo, como foi exemplo a suspensão do plano de ação para a Matemática, e os cortes então executados no Ciência Viva e no Plano Nacional de Leitura” foram os casos apontados pelo ministro.

O PISA (Programme for International Students Assessment) é um estudo internacional que avalia o conhecimento dos estudantes de 15 anos de diferentes países em algumas áreas.

No que toca a Portugal, os resultados hoje conhecidos revelam que os alunos estão pior a Português, em particular na leitura, e não tiveram bons resultados a Ciências, tendo estagnado em Matemática.

Nuno Crato, que antecedeu Tiago Brandão Rodrigues na pasta, não comenta as palavras do seu sucessor e lembra que foi a partir de 2015 que começou o processo de preocupação com a educação.

“A partir de 2015, as coisas inverteram-se um pouco, pelo menos no discurso e no sentido de ser mais flexível com o currículo, haver menos avaliação, de tentar que todos tivessem sucesso sem avaliação”, afirma à Renascença.

“Português e Matemática são duas áreas em que nós tivemos exames no 9º. ano. Portanto, as áreas onde houve mais atenção aos resultados, os resultados mantiveram-se no PISA”, sublinha.

A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE), responsável pelo PISA, concorda com o facto de as condições económicas influenciarem os resultados.

A origem socioeconómica dos alunos é um "forte indicador" dos resultados dos alunos portugueses, diz a OCDE no relatório segundo o qual os resultados dos alunos de origem socioeconómica mais favorecida ficam 95 pontos acima dos que têm maiores dificuldades económica. Este diferencial é superior à média da OCDE nesta comparação, que é de 89 pontos.

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