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Guerra comercial, China e petróleo ameaçam economia mundial em 2020

02 dez, 2019 - 14:34 • Sandra Afonso

Conheça os maiores riscos identificados pela Crédito y Caución, multinacional de seguros de crédito.

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A abertura de uma nova frente na guerra comercial, a incerteza da política comercial, o abrandamento descontrolado da China, uma política monetária desajustada e o aumento do preço do petróleo representam, neste momento, as maiores ameaças à estabilidade económica internacional no próximo ano.

Segundo o último relatório de previsões eocnómicas da Crédito y Caución, a escalada da guerra comercial está no topo da lista.

É esperada para breve uma decisão da administração norte-americana sobre a potencial imposição de tarifas às importações de automóveis e componentes, uma medida que representa uma nova ameaça à União Europeia, México e países asiáticos, que apresentam um superávit em conta corrente com os Estados Unidos.

Novas tarifas podem gerar represálias dos parceiros comerciais, originando “uma segunda escalada na guerra comercial no espaço de poucos meses”

O segundo grande risco para o crescimento económico em 2020 é o aumento da incerteza, que afeta as decisões das famílias e das empresas. Agravou-se a dificuldade em “prever a evolução da economia” e, como um efeito bola de neve, deverá “afetar outros acontecimentos como o Brexit ou a crise institucional na Itália”.

A China surge em terceiro lugar como fator desestabilizador da economia mundial. Atingida pela guerra comercial, a China tem hoje elevados níveis de endividamento nas empresas públicas e administrações locais, está em desaceleração descontrolada e tem uma economia baseada no aumento do consumo, sem aposta no investimento.

As dúvidas sobre o crescimento do gigante asiático são elevadas. Até agora, as autoridades chinesas combateram a guerra comercial com a desvalorização da moeda, mas tal fez aumentar o risco de uma desaceleração do PIB. Se o Governo de Pequim perder o controlo, toda a economia mundial será afetada.

As autoridades monetárias também têm aqui um papel decisivo; basta uma má decisão para colocarem em causa todo o crescimento mundial. Este é o quarto risco desta lista, o impacto de uma estratégia incorreta por parte da Reserva Federal norte-americana, tal como aconteceu há um ano, quando decisões da FED deixaram os mercados em turbulência.

A lista encerra com a possível recuperação dos preços do petróleo. Neste momento as reservas estão acima do esperado, o que protege o preço da volatilidade, “como demonstra a rápida recuperação da produção após o ataque às instalações sauditas ocorrido no último verão”, aponta a Crédito y Caución. Contudo, os riscos geopolíticos no Médio Oriente mantêm-se: uma escalada de tensões na região pode fazer aumentar os preços do petróleo e, caso perdure, reduzir o crescimento do PIB mundial.
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