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Crianças nas creches mais de 10h por dia? Falta conciliação entre trabalho e família

26 nov, 2019 - 16:37 • José Carlos Silva

Presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP) reclama presença na concertação social para ajudar a resolver o problema.

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"Precisamos de uma política de família que nos permita conciliar o tempo de trabalho com o tempo de escola e com o tempo de família". O desabafo é de Jorge Ascenção, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP), e surge depois de se saber que Portugal é o segundo país da União Europeia onde as crianças até aos três anos mais tempo permanecem em creches e jardins de infância.

No entender do responsável, até o crescimento demográfico acaba por ser penalizado, porque “não havendo condições de acompanhamento dos filhos, os casais jovens têm os filhos mais tarde e, em vez de terem dois ou três, têm um ou nenhum", explica.

Jorge Ascenção sublinha que há passos positivos que têm sido dados, mas que não chegam, porque “a conciliação do tempo não é apenas ter meio dia no primeiro dia de aulas" ou ter "três ou quatro horas para ir à escola tratar de algum assunto. "É preciso tempo para estar com os filhos, para os apoiar e orientar. É óbvio que faltam políticas concertadas", sublinha.

As jornadas de trabalho dos pais e o tempo que os filhos passam nas creches e jardins de infância - entre dez a doze horas por dia, em Portugal - andam de mãos dadas, apesar do relatório não cruzar estes dados, que têm sido bastante divulgados. Portugal é também dos países da União Europeia onde cada funcionário mais horas passa a trabalhar.

"Explica-se pelas políticas laborais e de família que nós temos. Estando a trabalhar oito, nove e dez horas por dia, os pais precisam de uma resposta que lhes garanta o cuidado e o apoio às crianças”, acrescenta o presidente da CONFAP.

Jorge Ascenção pede ainda que a estrutura que dirige seja mais ouvida para se encontrarem soluções. "Não temos representação na concertação social e, obviamente, somos poucos ouvidos. As famílias são pouco ouvidas nas suas preocupações e, muitas vezes, os responsáveis pelas decisões e pela governação do país ouvem mais quando se está na rua do que quando se está nas reuniões e colocamos todos esses problemas", denuncia.

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