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Brasil

Mulher sem abrigo assassinada por pedir 20 cêntimos na rua

21 nov, 2019 - 18:14 • José Carlos Silva

Para o sociólogo Elísio Estanque, investigador da Universidade de Coimbra, há uma grande radicalização da sociedade, que se inflama com discursos populistas e violentos. Nesse sentido, o caso brasileiro ganha contornos especiais com o facto de ter como Presidente Jair Bolsonaro.

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Um homem matou uma sem-abrigo, após esta lhe pedir esmola numa rua de Niterói, no Brasil. A irmã da vítima garante que estava a pedir um real, pouco mais de 20 cêntimos. As imagens foram captadas por câmaras de vigilância.

Nelas pode ver-se uma mulher a abordar um homem, de forma insistente, e este a sacar de uma arma e a disparar. Depois, afasta-se normalmente do local do crime.

O homem, proprietário de uma cafetaria, foi, entretanto, capturado. Alegou às autoridades ter atirado por recear um assalto.

O caso está ainda sob investigação, mas as autoridades não estão a dar crédito aos argumentos do suspeito.

Para o sociólogo Elísio Estanque, investigador da Universidade de Coimbra, há uma grande radicalização da sociedade, que se inflama com discursos populistas e violentos. Nesse sentido, o caso brasileiro ganha contornos especiais com o facto de ter como Presidente Jair Bolsonaro.

Em declarações à Renascença, Elísio Estanque considera que Bolsonaro “é um dos principais mentores da radicalização do discurso, com atitudes preconceituosas contra os pobres, o que acicata ainda mais os sectores fanatizados da sociedade brasileira, extremamente radicalizados e têm que ver com assimetrias e disparidades de oportunidades e condições e vida”.

Numa altura em que no plano internacional e nacional as temáticas da erradicação da pobreza, do fenómeno dos sem-abrigo e o combate à exclusão social estão na ordem do dia, o sociólogo Elísio Estanque rejeita que estes assuntos estejam a ser banalizados.

Contudo sublinha a necessidade de separar águas. É necessário que a “informação seja seriamente fundamentada e retrate realidades concretas. Se assim for, não é banalização, é denúncia, informação partilhada por quem perfilha de valores democráticos, de justiça social e direitos humanos, e que tem de ser divulgada”.

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