Tempo
|
A+ / A-

Francisco já está na Tailândia, onde o Cristianismo chegou com os portugueses

20 nov, 2019 - 11:21 • Filipe d'Avillez

Embora a visita de Francisco esteja a ser associado aos 350 anos do catolicismo na Tailândia, a verdade é que nessa altura já existiam comunidades católicas portuguesas e luso-descendentes no país há mais de um século.

A+ / A-
Francisco já aterrou em Banguecoque para uma visita de três dias à Tailândia
Francisco já aterrou em Banguecoque para uma visita de três dias à Tailândia

O Papa Francisco chegou esta quarta-feira à Tailândia, depois de um longo voo.

O Papa aterrou em Banguecoque às 12h30 locais, madrugada na Europa e foi de imediato descansar, não tendo qualquer atividade pública marcada para este dia.

Os eventos papais começam apenas na manhã de quinta-feira. Às 9h (2h em Lisboa) Francisco será recebido pelo Governo, tendo uma reunião com o primeiro-ministro, seguido de encontros com as autoridades cívicas e membros do corpo diplomático acreditado à Tailândia.

Depois Francisco será recebido pelo líder da comunidade budista da Tailândia.

O primeiro contacto com a comunidade cristã do país será às 11h15 locais com uma visita ao hospital de São Luís durante o qual o Papa se encontrará com o pessoal médico e com os doentes.

A tarde de quinta-feira é reservada para um encontro com o Rei Vajiralongkorn, no Palácio Real e o dia termina com missa no Estádio Nacional, às 18h (11h em Lisboa).

O dia de sexta-feira será dedicado inteiramente à comunidade católica. Às 10h Francisco reúne-se com padres, religiosos, seminaristas e catequistas, proferindo um discurso e depois em um encontro com os bispos e representantes das conferências episcopais da Ásia, fazendo outro discurso. O programa da manhã termina com um encontro à porta fechada com os jesuítas naquele país.

Depois do almoço haverá um encontro inter-religioso na universidade de Chulalongkorn e o dia termina com missa para jovens na Catedral da Assunção e de seguida Francisco parte para o Japão.

Esta é a segunda vez que um Papa visita a Tailândia. João Paulo II esteve no país em 1984.


Herança portuguesa

A Tailândia é um país de esmagadora maioria budista, com os cristãos a representar apenas 1,2% de uma população de 69 milhões. Destes, os católicos são apenas metade, com pouco mais de 300 mil fiéis.

O Cristianismo chegou ao país através de missionários europeus e a sociedade tailandesa tem sido tradicionalmente tolerante para com os cristãos, o que levou muitos a procurar lá refúgio quando outros países asiáticos os perseguiram.

Embora os missionários franceses tenham desempenhado um papel importante, os primeiros a chegar ao país foram os portugueses, há mais de 500 anos e muitos dos membros da mais antiga comunidade católica da Tailândia conseguem ainda traçar a sua herança portuguesa, sendo descendentes de portugueses que se estabeleceram no país e foram casando com os locais.

Embora a visita do Papa tenha em parte o objetivo de celebrar os 350 anos do catolicismo na Tailândia, essa data assinala de facto o estabelecimento do Vicariato Apostólico, que na verdade veio retirar território de missão aos portugueses que já estavam estabelecidos no país há mais de um século, e entregá-lo aos missionários franceses.

A influência portuguesa na Tailândia é significativa. A embaixada de Portugal é a mais antiga representação diplomática em Banguecoque e durante muitos anos o português era a língua estrangeira oficial da corte de Sião, como o país era conhecido. No geral os descendentes dos portugueses, que mantinham as suas tradições e, sobretudo, a sua religião, era homens de confiança do Rei e seus leais servidores.

Ainda existem bairros em Banguecoque onde se encontram traços dessa herança portuguesa, desde a arquitetura aos pasteis de nata, mas é sobretudo nas igrejas e na fé dos católicos que lá vivem que a identidade lusitana permanece.

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.