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Grifos: as aves sentinelas que vão detetar uso ilegal de veneno

20 nov, 2019 - 11:57 • Olímpia Mairos

Projeto vai criar rede de espécies-sentinelas para combater ameaças à biodiversidade e aos ecossistemas em Portugal.

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A Palombar – Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural, sedeada em Uva, no concelho de Vimioso, vai implementar o projeto “SentinelaS – marcação e seguimento de grifos Gyps fulvus como ferramenta de combate ao uso ilegal de venenos em Portugal”.

O projeto foi aprovado e é financiado pelo Fundo Ambiental do Ministério do Ambiente e da Transição Energética. Vai desenvolver-se em territórios da Rede Natura 2000, em parceria com a Universidade de Oviedo (Espanha).

O projeto Sentinelas tem como principal objetivo “criar uma rede de sentinelas através da marcação, com dispositivos GPS e anilhas, de exemplares de grifo que possibilite obter informação sobre o uso ilegal de venenos no norte de Portugal, o qual representa um sério problema para a conservação da biodiversidade, dos ecossistemas e para a saúde pública”, explica a associação.

O grifo será a primeira espécie-sentinela da rede de espécies-sentinelas que a associação pretende criar para combater ameaças à biodiversidade e aos ecossistemas em Portugal. Numa primeira fase, serão marcados 15 indivíduos.

A rede de grifos-sentinelas marcados será implementada em quatro Zonas de Proteção Especial (ZPE) situadas no norte do país, nomeadamente nas ZPE – Serra do Gerês, Montesinho/Nogueira, Rios Sabor e Maçãs e Douro Internacional e Vale do Águeda, áreas da Rede Natura 2000, onde existem importantes populações de aves necrófagas.

Todos estes territórios estão também inseridos em Sítios de Importância Comunitária (SIC) da Rede Natura 2000 e dois deles coincidem ainda com Parques Naturais, no caso de Montesinho e do Douro Internacional, e um com Parque Nacional, no caso da Peneda-Gerês.

Segundo a associação de conservação da natureza, “nestas áreas existe um elevado risco de uso de venenos devido a potenciais conflitos com a fauna silvestre, em particular, porque são zonas onde se pratica pastoreio extensivo e onde o lobo está presente e/ou porque são territórios com zonas de caça e com presença de mesocarnívoros predadores, tais como a raposa e alguns mustelídeos e viverrídeos, e aves de rapina”.

O sistema a implementar vai permitir obter dados sobre a mortalidade por envenenamento e sobre a distribuição espácio-temporal do risco/exposição aos venenos para espécies necrófagas.

Segundo a Palombar, o projeto contribuirá ainda para “avaliar outras ameaças para as aves necrófagas, tais como mortalidade e risco de colisão com linhas elétricas e/ou aerogeradores em parques eólicos”.

“A disponibilidade de alimento no campo para estas espécies, nomeadamente cadáveres de ungulados, em geral, e daqueles procedentes das atividades pecuárias extensivas, em particular, os quais são fundamentais para a manutenção e conservação das suas populações”, serão outros elementos a identificar no projeto.

O projeto Sentinelas contempla ainda uma abordagem de educação e sensibilização ambiental das comunidades locais através do desenvolvimento de sessões dirigidas essencialmente ao público escolar e a setores e grupos de interesse específicos nomeadamente caçadores, agricultores e criadores pecuários com o objetivo de alertar “para o perigo do uso de venenos, quer para a saúde pública, quer para os animais domésticos, fauna silvestre e ecossistemas, e para a importância ecológica das aves necrófagas”.

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