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Derrocada em Borba. Arcebispo de Évora congratula-se com “celeridade” nas indemnizações

18 nov, 2019 - 23:30 • Rosário Silva

“A vida continua e o grande desafio é tornarmos presentes aqueles que partiram. Que a tristeza não nos faça esquecer a alegria de os ter tido”, diz D. Francisco Senra Coelho, que agradece a solidariedade manifestada pelo “povo português” para com o Alentejo.

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Um ano depois da derrocada em Borba, o arcebispo de Évora, D. Francisco Senra Coelho, agradece “a celeridade que as entidades oficiais puseram na preocupação de resolver a questão que se prendia com a indeminizações face às mortes que aconteceram.”

Os19 familiares e herdeiros das vítimas mortais da derrocada da estrada 255 receberam, em julho, indemnizações do Estado, num total de 1,6 milhões de euros, mesmo sem estarem apuradas responsabilidades.

“Claro que não há nada que pague a vida e o vazio da saudade”, mas é importante “congratularmo-nos com esta decisão”, disse D. Francisco à Renascença.

Dois meses depois de ter tomado posse como arcebispo de Évora, D. Francisco Senra Coelho refez a sua agenda para poder estar mais perto da comunidade atingida pela tragédia. Um acontecimento que recolheu a solidariedade de todo o país.

“Foi importante sentirmos a solidariedade como um sinal evidente que valoriza um povo, e foi um momento muito sofrido e ao mesmo tempo de compartilha, onde a solidariedade se manifestou”, com “o povo português a mostrar a sua alma e grandeza interior”, afirmou.

“Foi um momento em que sentimos uma profunda comunhão, uma profunda unidade do país com o Alentejo”, acrescenta o prelado.

D. Francisco Senra Coelho, saúda, ainda, “cada família, cada lar”, garantindo “que acompanhamos na oração as vidas que tiveram de recomeçar sem o pai em casa, sem o esposo, aqueles que viram a partida dos seus filhos e que fazem a experiência de uma saudade que não se apaga mas que cada vez é mais viva.”

“A vida continua e o grande desafio é tornarmos presentes aqueles que partiram. Que a tristeza não nos faça esquecer a alegria de os ter tido”, acrescenta o arcebispo.

Nestas declarações à Renascença, fica também uma palavra de agradecimento a todas as autoridades, nomeadamente “a proteção civil, os bombeiros, o INEM, a GNR, e todas as outras as diversas entidades que deram as mãos para minorar este sofrimento.”

O prelado agradece, igualmente “o empenho pessoal” do Presidente da República, e “todo o apoio” do Primeiro-Ministro.

O arcebispo de Évora, finaliza com um apelo: “Tudo o que possa estar ainda pendente, circunstancias que agravem o sentido de perda, fazia o apelo que se pusesse a diligência necessária para atenuar o sofrimento que já se viveu nestas famílias.”

Na tarde de 19 de novembro de 2018, um troço da Estrada Municipal (EM) 255, entre Borba e Vila Viçosa, no distrito de Évora, colapsou, devido ao deslizamento de um grande volume de rochas, blocos de mármore e terra para o interior de duas pedreiras, provocando cinco mortos.

O acidente causou a morte de dois operários de uma empresa de extração de mármore na pedreira que estava ativa e de outros três homens, ocupantes de duas viaturas automóveis que seguiam no troço da estrada que ruiu e que caíram para o plano de água da pedreira sem atividade.

O Ministério Público instaurou um inquérito para apurar as circunstâncias do acidente, e anunciou, recentemente, terem sido constituídos nove arguidos.

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