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"Beja Merece Mais" leva reivindicações a Bruxelas. "Esta é a nossa última esperança"

13 nov, 2019 - 19:47 • Vasco Gandra, correspondente em Bruxelas

Movimento cívico levou a sua "luta justa" às instâncias europeias. "Queremos infraestruturas que nos permitam desenvolver" a região.

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O movimento cívico "Beja Merece Mais" esteve em Bruxelas para levar as suas reivindicações às instituições da União Europeia em quem deposita agora a "última esperança" para a resolução dos problemas do Baixo Alentejo.

Uma comitiva de 25 personalidades naturais da cidade de Beja esteve ontem e esta quarta-feira na capital comunitária onde manteve encontros com eurodeputados e funcionários europeus, com Carlos Moedas - o comissário conterrâneo responsável pela Investigação, Ciência e Inovação na Comissão cessante - e com a Representação Permanente de Portugal junto da UE.

O movimento junta uma série de cidadãos naturais de Beja de vários quadrantes profissionais e sociais e esteve em Bruxelas a convite da eurodeputada do PSD Maria da Graça Carvalho, também bejense. O grupo que se deslocou a Bruxelas incluiu músicos como António Zambujo e o duo Virgem Suta, e também gestores, académicos, profissionais de saúde, entre outros.

O movimento perdeu a esperança em se fazer ouvir pelo executivo português, liderado por António Costa. "O Governo foi o único que não recebeu o Beja Merece Mais", diz Florival Monteiro, um dos porta-vozes.

Explica que foram recebidos pelo Presidente da República e pelos partidos políticos e "todos disseram que tínhamos razão". "É uma luta justa. Queremos infraestruturas que nos permitam desenvolver" a região, sublinha ressalvando que o ‘Beja Merece Mais’ representa "uma luta suprapartidária e coletiva das gentes do Baixo Alentejo, região que precisa muito de movimento, desenvolvimento e investimento para ter mais alegria na sua vida".

O movimento reivindica mais e melhores infraestruturas ferroviárias e rodoviárias, sobretudo uma estrada que ligue o Porto de Sines a Espanha via Beja, uma linha de comboio até Lisboa e a reativação do aeroporto de Beja.

O "Beja Merece Mais" alerta igualmente para o que considera ser a falta de recursos humanos e de investimento na região, designadamente na área da saúde, educação, inovação, empresas e agricultura.

Florival Monteiro sublinha que a região tem um enorme potencial que não está a ser aproveitado. "Esta é a nossa última esperança", diz referindo-se a Bruxelas.

"Em termos políticos há um descrédito total dos políticos. E nós acreditamos que a Europa quer a coesão territorial e que tem verbas para isso. Agora, não acreditamos que os nossos políticos em Portugal queiram fazer um plano que defenda a coesão territorial. Estão a abandonar mais de 25% do território que é o correspondente ao Baixo Alentejo. Como é que um governo abandona um quarto do seu território?".

Por seu turno, Maria da Graça Carvalho diz que a região do Baixo Alentejo "tem sido muito esquecida quando comparada com outras regiões de Portugal". "Queremos chamar a atenção para o Baixo Alentejo nas instituições europeias porque uma parte das decisões também é aqui", em Bruxelas. "Ainda existe a necessidade de infraestruturas e de prestar atenção a certas regiões da Europa e de Portugal".

A eurodeputada social-democrata sublinha igualmente a importância de fixar as populações sem o que as regiões ficam desertificadas e considera que o governo não tem feito o suficiente para desenvolver o Baixo Alentejo. "Temos uma autoestrada que está pronta e que não é inaugurada, está sem ser utilizada, e não se percebe porquê. Falta um pequeno troço para terminar a acessibilidade até Beja. O aeroporto não se percebe porque é que não se utiliza mais. O hospital tem muitas deficiências. Com um pouco mais de esforço seria possível fazer mais pela região".

No encontro no Parlamento Europeu, o grupo bejense recebeu o apoio de deputados de todos os partidos. E como, porventura, não há forma mais expressiva de afirmar o carácter e a força de uma região, a voz e a música do duo Virgem Suta e de António Zambujo e Buba Espinho remataram o encontro reivindicativo da região alentejana no coração de Bruxelas.

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