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Nova Presidente interina da Bolívia promete realização de “eleições transparentes”

13 nov, 2019 - 22:46 • João Pedro Barros com agências

Exilado no México, o antecessor Evo Morales diz-se preparado para “regressar” e “pacificar a Bolívia”.

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A nova Presidente interina da Bolívia disse esta quarta-feira que pretende que sejam realizadas, “o mais rapidamente possível”, eleições “transparentes” e negou que o seu antecessor Evo Morales tenha sido alvo de um golpe de Estado.

Numa publicação no Twitter, Jeanine Áñez, de 52 anos e ex-vice-presidente do Senado, agradeceu o apoio do grupo de direita Resistência Cochala e mostrou-se esperançada na convocação de um novo ato eleitoral.

Áñez assumiu o cargo esta terça-feira, depois de Evo Morales abandonar o país e exilar-se no México, após 14 anos na presidência. Este período acabou por terminar debaixo de violentos protestos e acusações de fraude eleitoral.

"Peço uma transição democrática e pacífica, revogando as condições anteriores, que nos tornaram um pai totalitário”, afirmou.

Morales contra-ataca

Morales demitiu-se no domingo, após semanas de pressão e de acusações de ilegalidades no ato eleitoral realizado em outubro, cujos resultados indicavam uma vitória folgada. No entanto, a partir do méxico, já assumiu um tom de desafio

“Se os meus apoiantes me pedirem, estamos prontos para regressar. iremos regressar mais tarde ou mais cedo, para pacificar a Bolívia”, afirmou, em conferência de imprensa realizada na Cidade do México.

Evo Morales asila-se no México, mas caos na Bolívia parece não ter fim à vista
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Áñez enfrenta a oposição dos deputados do partido de Morales, o Movimento para o Socialismo (MAS), que têm a maioria no Parlamento do país e ameaçam declarar nula a sua presidência.

Entre os argumentos que podem apresentar conta-se o facto de o Congresso não ter aceite a demissão de Morales nem ter nomeado Áñez, de acordo com o estabelecido na Constituição do país. A nova Presidente invoca um artigo que a põe na linha de sucessão a Morales.

Esta quarta-feira, imagens televisivas mostraram um grande número de agentes da polícia no centro de La Paz, parecendo impedir a entrada de deputados do MAS no Senado, incluindo a antiga líder Adriana Salvatierra, que garante ainda não ter entregue a demissão.

As autoridades tiveram de lançar gás lacrimogéneo para fazer dispersar várias concentrações, nomeadamente de grupos de apoiantes de Morales que rumaram à capital.

O Procurador-Geral do país já confirmou a morte de sete pessoas nos 23 dias que leva o conflito, nomeadamente nas cidades de La Paz, Santa Cruz e Cochabamba.

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