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Bartolomeu dos Mártires: Vaticano apresenta novo santo como «modelo» para os bispos

10 nov, 2019 - 15:57 • Agência Ecclesia

Bartolomeu Fernandes nasceu a 3 de maio de 1514 em Verdelha, Mártires, na região de Lisboa, no seio de uma família humilde. Em 1551 recebeu em Salamanca o grau de Mestre em Teologia.

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O Vaticano destacou, este domingo, no seu portal de notícias e no jornal ‘Osservatore Romano’ a canonização de frei Bartolomeu dos Mártires, arcebispo de Braga, no século XVI, que apresenta como um “modelo” para os bispos.

A leitura do decreto de canonização vai ser feita, esta tarde, pelo cardeal Angelo Becciu, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, durante a Missa de Ação de Graças que se celebra na Catedral de Braga.

O portal ‘Vatican News’ evoca o percurso de vida do religioso dominicano, que concluiu os estudos teológicos e começou a lecionar em vários conventos de Lisboa e Évora, antes de ser prior no convento do Benfica.

Bartolomeu Fernandes nasceu a 3 de maio de 1514 em Verdelha, Mártires, na região de Lisboa, no seio de uma família humilde; em 1551 recebeu em Salamanca o grau de Mestre em Teologia.

Em 1559, aceita a nomeação como arcebispo de Braga, sucedendo a D. Frei Baltasar Limpo, na qual “tratará, em particular, da santificação do clero através do estabelecimento de diferentes escolas de teologia moral e da evangelização do povo”.

O novo santo é lembrado como “um bispo popular, preocupado com as questões sociais e empenhado nas obras de caridade”.

São Bartolomeu dos Mártires escreveu um catecismo que foi distribuído a todos os clérigos, dividido em duas partes: na primeira uma exposição do Pai-Nosso, da profissão de fé, dos Dez Mandamentos, dos pecados capitais e dos sacramentos; a segunda parte possuía práticas e sermões a serem lidos aos fiéis aos domingos e nos dias de festa.

“Bartolomeu foi um dos defensores do princípio da correção fraterna, adotando a correção dos hereges em segredo, ao invés de enviá-los para o Santo Ofício, ou de julgá-los em tribunais episcopais; com isso, tornava-se possível poupar o indivíduo de uma pena mais dura e da exposição pública”, recorda o Vaticano.

A nota biográfica destaca as mais de 90 visitas em todas as 1260 paróquias que faziam parte da Arquidiocese de Braga (na altura incluindo territórios bracarenses, de Viana do Castelo, Vila Real e Bragança), bem como o “verdadeiro programa de reforma pastoral”, que levou a cabo.

Os textos destacam a atuação do novo santo português durante o Concílio de Trento, onde esteve presente nas reuniões de 1562 e 1563, apresentando 268 petições.

Entre os seus livros conta-se o “Stimulus Pastorum”, uma obra em a responsabilidade dos bispos é destacada no papel da preservação dos costumes e na tarefa da salvação de almas, que estava entre os textos entregues para reflexão aos padres que participaram nos concílios Vaticano I e Vaticano II.

O processo canónico para o reconhecimento da santidade de Frei Bartolomeu dos Mártires foi estabelecido em 1643, com depoimentos recolhidos nas dioceses de Lisboa e Braga; seria declarado venerável por Gregório XVI a 23 de março de 1845.

Como milagre para a beatificação, foi reconhecida a cura de uma jovem portuguesa afetada por meningoencefalite; foi proclamado beato por João Paulo II na Praça de São Pedro, a 4 de novembro de 2001.

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