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NATO "em morte cerebral é muito exagerado e sobretudo inconveniente", diz MNE

08 nov, 2019 - 10:24 • Marta Grosso com redação

Augusto Santos Silva esteve nas Três da Manhã para falar sobre os 30 anos da queda do Muro de Berlim e comentou outros assuntos da atualidade.

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O ministro dos Negócios Estrangeiros não gostou da maneira como o Presidente francês falou da NATO. Emmanuel Macron disse que a Aliança Atlântica está em "morte cerebral", devido ao afastamento dos Estados Unidos e ao comportamento da Turquia.

Na Renascença, Augusto Santos Silva diz que até compreende a mensagem. “O que ele quer dizer é que nós temos um problema sério hoje no âmbito da NATO, porque temos um aliado, que é a Turquia, que teve uma iniciativa militar com o beneplácito, na prática, de outro aliado, os EUA, e que significou uma ação que prejudica o nosso combate comum contra o terrorismo”, afirma.

“Agora, dizer que a NATO está em morte cerebral é muito exagerado e sobretudo é muito pouco conveniente do ponto de vista político”, destaca.

Em 9 de outubro, a Turquia lançou uma ofensiva contra a milícia curdo-síria Unidades de Proteção Popular (YPG). A ofensiva aconteceu poucos dias depois de os Estados Unidos se terem retirado da região, tendo a Rússia, principal aliado de Damasco, acabado por se posicionar como árbitro entre a Turquia e a Síria.

O conflito foi discutido numa reunião dos ministros da Defesa da NATO em 25 de outubro, sendo que a Turquia ficou isolada e os Estados Unidos foram particularmente críticos.

Na entrevista publicada na quinta-feira no “The Economist”, o chefe de Estado francês questiona o futuro do artigo 5.º do Tratado do Atlântico Norte, que prevê a solidariedade militar entre os membros da NATO se um deles for atacado.

No início de dezembro, os líderes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN, na sigla em português) vão reunir-se em Londres.

A França esteve, durante 43 anos, afastada do comando militar da NATO. A decisão foi tomada em 1966, pelo então Presidente Charles de Gaulle, em protesto contra a domínio americano do bloco atlântico.

O país pertencia, assim, apenas ao comando político da organização. Mas, em 2009, o Presidente Nicolas Sarkozy decidiu voltar a integrar o país no comando militar, pelo que a França voltou a ser membro em pleno.

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