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Benfica

Bruno Lage defende opções na Liga dos Campeões. "São 20 anos a pensar pela minha cabeça"

08 nov, 2019 - 13:21 • Redação

O treinador garante que o Benfica não vai mudar o rumo, após os maus resultados na Europa. Lage garante que foi a pensar pela própria cabeça que chegou ao Benfica e assim continuará.

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Bruno Lage rejeitou, esta quinta-feira, a ideia de que o discurso de ambição na Liga dos Campeões é contrariado pelas opções que toma, na escolha dos onzes para esses jogos. O treinador do Benfica sublinhou que pensa pela própria cabeça e continuará a fazê-lo.

"O Pizzi praticamente não jogou no último jogo [Lyon, em casa] da Liga dos Campeões, o André Almeida não jogou este jogo, assim como não tinha jogado o último com o Lyon, jogou o Tomás. Como vencemos, não se levantou essa questão. O Vinícius tinha feito um bom jogo e dois golos em jogos anteriores. São opções, passam por mim e pela minha forma de pensar e de ver, escolhemos o melhor 11 para cada momento. Independentemente do que possam dizer, são 20 anos a pensar pela minha cabeça", frisou o técnico, em conferência de imprensa.

Viagem ao "sonho de menino" de Bruno Lage

Bruno Lage fez questão de explicar até que ponto pensa pela própria cabeça, num repassar do percurso de mais de 20 anos como treinador:

"Eu tenho 43 anos, terminei o curso há 23 anos e nessa altura, 15 a 20 colegas foram dar aulas. Eu não fui, tentei investir ao máximo na carreira como treinador. E muitos colegas me diziam: 'Vais para o futebol e ganhar 100, 200 euros no início de carreira e nós enquanto professores já estamos a ganhar mais de 1000'. Eu pensei pela minha cabeça e fui atrás desse sonho. Passado uns anos, cheguei ao Benfica."

"Em determinada altura, pensei que precisava de outro desafio. Todos os meus colegas me diziam: 'Ninguém sai do Benfica'. Eu pensei pela minha cabeça e fui à minha vida. Estive no Dubai, cheguei a Inglaterra, tive a felicidade de acompanhar o Carlos Carvalhal na aventura em Inglaterra, até que me surgiu o convite para voltar aqui, à equipa B. Toda a gente em meu redor: 'Vais abandonar a Premier League para competir na II Liga?' Eu pensei pela minha cabeça e vim aqui. Comecei como adjunto do Vitória de Setúbal, na altura ganhava 100 euros, e agora sou treinador principal do Benfica. Um dia, quero olhar para trás e perceber qual foi o percurso que eu fiz e sempre a pensar pela minha cabeça", concluiu.

Uma mudança de rumo não está nas cartas

Bruno Lage garantiu, também, que o Benfica não mudará o rumo, com vista a esta época e às próximas, perante os maus resultados na Europa.

"Se a cada desaire tivermos de mudar o nosso rumo, não temos estratégia. Há muitos anos, dizia-se que era impossível vencer o campeonato com uma base da formação e o Benfica nos íltimos anos tem provado que é. O passo seguinte é o desafio de termos a capacidade de fazer campanhas europeias ao nível do clube. Se conseguirmos segurar os melhores jogadores que temos tido, seremos muito mais fortes e conseguiremos atingir os nossos objetivos europeus. Mas nada nos pode tirar deste trajeto", sublinhou.

O treinador vincou que a forma de estar numa equipa grande não pode basear-se em "olhar para trás e pensar naquilo que perdeu ou ganhou".

"Se vamos olhar para trás a pensar que no ano passado fizemos uma segunda volta extraordinária e fomos campeões nacionais, não vamos render no futuro. Se olharmos para trás e percebermos que perdemos o último jogo, não vamos render no futuro", explicou.

Bruno Lage considera, ainda, que "é normal" que certos jogadores estejam pior que na época passada, especialmente nestes primeiros quatro meses, em que se joga "sete jogos em 20 a 23 dias e depois há paragem para a seleção" e, quando os jogadores voltam, repete-se o ciclo.

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  • yes, man
    09 nov, 2019 Rui Vitória II 11:16
    Deixe-se disso homem, que não convence ninguém que tenha dois dedos de testa. Todos vemos as vendas imediatas mal eles começam a dar um bom pontapé numa bola, com o pretexto que "não é possível segurá-los" o que em muitos casos é treta - basta uma clausula de rescisão elevada e não admitir negociar abaixo dela. O problema aqui é o Presidente e a sua política desportiva "vender, vender". Reforços para lutar à seria não há, e a miudagem nem chega nem fica tempo suficiente para ganhar calo. E já agora, outro problema são os treinadores "yes, man" que não levantam ondas nem quando são gozados a nível internacional, como você e o seu antecessor.
  • Isabel M. M.
    08 nov, 2019 Vila Nova de Gaia 23:59
    Que pensa pela sua cabeça já todos percebemos, mas nós também pensamos pela nossa e por isso questionamos sempre que aquilo que a cabeça do treinador pensa é diferente do que pensa a nossa. Podemos não ser experts em tácticas em tácticas e estratégias, mas temos cabeça, pensamos e opinamos. Se o treinador concorda ou não são outros 500, mas não vamos deixar de o fazer só porque o treinador diz que não lhe interessa o que pensam as cabeças dos outros. Eu não percebo o que a cabeça dele pensa quando deixa o Pizzi no banco ou insiste em Florentino ou Gedson e não aposta num jogador com a qualidade e a experiência do Samaris, que nem sequer é convocado. Embora no caso do Samaris eu desconfie que a explicação deve andar perto do "mais vale cair em graça que ser engraçado". E depois o que acontece? Não cai em graça e a cabeça do treinador pensa que o melhor é não o chamar. E é ao sabor destes pensamentos todos do treinador que ficamos a ver a caravana a passar ...