A+ / A-

​Blair. “Política ocidental” está “depressiva” e “há uma competição para ver qual o político mais louco”

06 nov, 2019 - 11:57 • Cristina Nascimento

Antigo primeiro-ministro britânico diz que o Brexit é uma distração e afasta o debate sobre tecnologia que considera ser uma questão essencial.

A+ / A-

O antigo primeiro-ministro britânico foi ao palco central da Web Summit para falar sobre quem está a ser deixado para trás nesta era de tecnologia, mas o Brexit e a atualidade política não fugiram à conversa.

Sobre o principal tema da conferência, Tony Blair considerou que "as pessoas que estão a ser deixadas para trás são as que não entendem como a tecnologia está a mudar o mundo". Em tom bem-disposto, revelou que os seus filhos já o aconselharam a "não falar em público sobre tecnologia", por considerarem que o pai não entende de facto a tecnologia.

Independentemente da opinião dos filhos de Blair, certo é que o antigo governante considera que o tema é essencial nos dias de hoje. Foi nesta altura que o assunto Brexit veio à baila.

Tony Blair reafirma-se como opositor do Brexit e lamenta que, no Reino Unido, esse assunto esteja a distrair os governantes. "A questão da tecnologia é a questão principal dos dias de hoje. Tudo o resto são distrações", afirmou.

Considerou ainda preocupante a distância entre o mundo da política e da tecnologia. “Falo com muitas pessoas do mundo da tecnologia e o meu filho está no setor. Eles querem distância do poder político. Este desfasamento entre a política e os profissionais da tecnologia é preocupante”, explicou.

"O estado atual da política ocidental é depressivo, francamente. Há uma competição para ver qual é o político mais doido. Acho que estamos à frente", rematou.

Já a chegar ao fim o tempo de conversa no Palco Central surgiram as perguntas mais políticas. Questionado sobre se ia votar no Partido Trabalhista nas próximas eleições de 12 de dezembro, no Reino Unido, Blair diz que “sim, o que não quer dize que concorde com o presidente”.

E o Partido Trabalhista estaria melhor sem Jeremy Corbyn? “Esse é uma pergunta muito difícil”, disse e acabou por não responder.
Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.